A urticária é uma reação da pele que provoca, subitamente, placas avermelhadas, elevadas e que coçam intensamente, podendo surgir em qualquer parte do corpo e desaparecer em poucas horas. Muitas pessoas se assustam quando as lesões aparecem de repente e se perguntam: o que causa urticária? existe cura? alimentos ou o emocional podem desencadear as crises?
Na verdade, a urticária pode ter diferentes origens, incluindo alergias, infecções, medicamentos ou até fatores físicos como calor e pressão na pele. Em alguns casos, ela dura poucos dias; em outros, pode se tornar crônica, persistindo por meses. Neste guia, você vai entender o que é urticária, quais são suas causas mais comuns, quais tratamentos realmente funcionam e qual é o papel do estresse e da alimentação nas crises.
Pontos Principais

1. O que é Urticária?
A urticária é uma reação cutânea inflamatória que se manifesta com o surgimento de urticas (vergões) e, em alguns casos, angioedema (inchaço das camadas mais profundas da pele ou mucosas).


Urticas. É normal coçar tanto assim?
A lesão típica é caracterizada por:
1. Edema Central (Inchaço)
A urtica é fundamentalmente uma lesão de edema (inchaço) na derme superficial (a camada superior da pele).
- Elevação: É uma lesão elevada (pápula ou placa), facilmente palpável, que se projeta acima da superfície da pele circundante.
- Cor: Geralmente é de cor clara ou esbranquiçada no centro, embora isso possa variar. O aspecto claro é devido ao líquido (plasma) que extravasa dos vasos sanguíneos para o tecido, comprimindo os pequenos vasos.
- Tamanho e Forma: O tamanho é muito variável, podendo ser uma pápula puntiforme (pequena, como na urticária colinérgica) ou uma placa grande e confluente (que se une a outras lesões). Sua forma pode ser arredondada, ovalada ou irregular (geográfica).
- Halo de Eritema: A área central clara é quase sempre circundada por um halo de eritema (vermelhidão), resultado da dilatação dos vasos sanguíneos periféricos (vasodilatação) causada pela histamina e outros mediadores.
2. Prurido Intenso (Coceira)
O sintoma mais característico e obrigatório da urtica é o prurido (coceira) intenso.
- Qualidade do Sintoma: A coceira é frequentemente descrita como excruciante, podendo ser acompanhada de sensações de ardor, queimação ou picada.
- Mecanismo: É causada pela histamina e outros mediadores inflamatórios que ativam diretamente as terminações nervosas sensoriais da derme.
3. Natureza Fugaz (Efêmera)
Esta é a característica mais definidora para diferenciar o quadro de outras erupções cutâneas:
- Duração: As lesões são fugazes ou efêmeras. Uma urtica individual surge e desaparece da pele em um período de tempo muito curto, geralmente em menos de 24 horas (com frequência, em 1 a 6 horas).
- Migração: Embora uma lesão desapareça rapidamente em um local, novas lesões podem surgir em outras partes do corpo, dando a impressão de que a doença é persistente.
4. Resolução sem Marcas
Quando as lesões se resolvem, a pele retorna completamente ao seu aspecto normal, sem deixar qualquer tipo de:
- Cicatrização: Não deixa cicatrizes.
- Mancha Residual: Não deixa manchas escuras (hiperpigmentação) ou claras (hipopigmentação).
Importante: Se uma lesão for clinicamente semelhante à urtica, mas durar mais de 24 horas no mesmo local, for dolorosa (em vez de pruriginosa) ou deixar manchas residuais (púrpura ou equimose), o diagnóstico deve ser reavaliado, podendo indicar uma condição mais rara e grave chamada Urticária Vasculite.
Em Resumo
A urtica é uma lesão dérmica que apresenta as seguintes características:
| Característica | Descrição | Mecanismo |
| Morfologia | Pápula ou placa elevada, com centro esbranquiçado/claro e halo avermelhado. | Edema por extravasamento de plasma. |
| Sintoma | Prurido (coceira) intenso, ardência. | Ativação das terminações nervosas pela histamina. |
| Duração | Fugaz; desaparece em menos de 24 horas no mesmo local. | Processo inflamatório reversível e de curta duração. |
| Resolução | Não deixa cicatriz nem marcas residuais. | O dano vascular é mínimo, permitindo a restauração completa da pele. |
Angioedema
Ocorre em cerca de 40% dos casos. É um inchaço mais profundo, geralmente não pruriginoso, mas que pode causar sensação de dor, queimação ou aperto. Afeta mais comumente lábios, pálpebras, língua, garganta e genitais. Quando atinge a laringe, pode ser uma emergência médica por risco de obstrução das vias aéreas.

Dermografismo
O dermografismo é um tipo de urticária. O nome vem do grego e significa, literalmente, “escrever na pele”.
Nesta condição, a pele é tão sensível ao toque e à pressão que qualquer arranhão leve, fricção ou até o contato com roupas apertadas faz com que surjam calombos vermelhos e inchados no local.
Como ele se manifesta?
Diferente de uma alergia comum a alimentos ou remédios, o dermografismo acontece por um estímulo físico.
- O sintoma: Quando você passa a unha ou um objeto pontiagudo na pele, surge uma linha alta e avermelhada (parecida com uma picada de pernilongo comprida) logo em seguida.
- A sensação: Pode causar coceira, calor e irritação no local.
- A duração: Geralmente, essas marcas aparecem em poucos minutos e desaparecem sozinhas entre 30 minutos e 1 hora, sem deixar cicatrizes.
Por que isso acontece?
A causa exata ainda é um mistério para a ciência, mas sabemos o que ocorre no corpo: as células de defesa da pele (chamadas mastócitos) liberam uma substância chamada histamina ao menor sinal de pressão. É essa histamina que faz os vasos sanguíneos incharem e criarem a marca na pele.
Existe tratamento?
O dermografismo não tem uma “cura” definitiva, mas pode ser controlado.
- Remédios: Os médicos geralmente indicam anti-histamínicos (remédios para alergia) que evitam que a pele reaja ao toque.
- Cuidados no dia a dia: Usar hidratantes (pele seca coça mais e piora o quadro), evitar roupas muito apertadas e preferir banhos mornos ou frios ajuda muito a reduzir as crises.
2. Mecanismo Básico da Doença. O que leva a pessoa a ter urticária?
A manifestação das lesões é resultado da liberação de substâncias químicas pró-inflamatórias, sendo a histamina a principal. Essa liberação ocorre a partir de células especializadas localizadas na pele, chamadas mastócitos. Quando os mastócitos são ativados (por alérgenos, estímulos físicos ou processos internos), a histamina liberada age nos vasos sanguíneos da pele, causando vasodilatação (vermelhidão), aumento da permeabilidade vascular (formação de edema) e estimulação de nervos (coceira intensa).
Qual é a diferença entre alergia e urticária?
Embora muita gente use os nomes como sinônimos, a alergia e a urticária não são a mesma coisa. A alergia é uma resposta exagerada do sistema imunológico a uma substância específica, como um alimento, remédio ou pólen, por exemplo. Já a urticária é uma reação da pele caracterizada por placas vermelhas que coçam muito e podem aparecer e sumir rapidamente em diferentes partes do corpo.
É importante entender que a urticária pode ser causada por uma alergia, mas nem toda urticária tem essa origem; ela também pode surgir por estresse, calor, infecções ou até causas autoimunes. Enquanto a alergia é o mecanismo de defesa do corpo, a urticária é o sintoma visível na pele. Se as lesões vierem acompanhadas de inchaço nos lábios ou dificuldade para respirar, procure ajuda médica imediata. Para casos persistentes, o diagnóstico correto é essencial para o tratamento.
3. Tipos e Classificação: Aguda e Crônica
A forma mais importante de classificar a urticária é pelo seu tempo de duração.
A. Urticária Aguda (UA)
É o tipo mais comum. Ocorre quando as urticas e/ou angioedema duram menos de 6 semanas. Na maioria das vezes, a causa é identificável e está relacionada a um gatilho específico, como uma alergia alimentar, medicamento ou infecção viral. Geralmente a cura ocorre espontaneamente ou com tratamento de curta duração. O prognóstico é excelente.
B. Urticária Crônica (UC)
Ocorre quando as urticas e/ou angioedema persistem ou recorrem na maioria dos dias da semana por um período de 6 semanas ou mais. Acomete cerca de 0,5% a 1% da população.
Subtipos da Urticária Crônica
A UC é subdividida com base na origem da ativação:
Urticária Crônica Espontânea (UCE): Lesões aparecem sem gatilho externo específico. Pode ser autoalérgica, autoimune ou idiopática.
Urticária Crônica Induzida (UCI): Lesões desencadeadas por estímulo físico ou ambiental, como dermografismo, frio, calor, pressão tardia, estresse ou exercício.
O Que é Urticária Emocional? (Urticária Adrenérgica)
A urticária adrenérgica, popularmente conhecida como “Urticária emocional”, é um tipo bem raro de reação na pele causado pelo excesso de estresse ou agitação. Diferente das alergias comuns, ela surge quando o corpo libera muita adrenalina ou noradrenalina no sangue. Isso pode acontecer em momentos de forte emoção, sustos ou até mesmo depois de consumir muito café ou chocolate.
As lesões aparecem como bolinhas vermelhas que coçam, mas com um detalhe curioso: cada uma delas costuma ser cercada por um anel esbranquiçado, que acontece porque os vasos sanguíneos ao redor se fecham. Como o problema não é causado por histamina (o vilão das alergias típicas), os antialérgicos comuns nem sempre funcionam bem. O tratamento costuma envolver remédios que controlam a ação da adrenalina, como os chamados betabloqueadores, além de evitar os gatilhos emocionais e estimulantes que iniciam as crises.

É carinhosamente apelidada de “urticária do suor” ou “alergia ao calor”, embora o mecanismo seja mais complexo do que uma simples alergia.
Insetos podem dar Urticária?
A urticária papular ou prurigo estrófulo é uma reação alérgica comum à picada de insetos (como pulgas e mosquitos), afetando principalmente crianças. Caracteriza-se por lesões elevadas, avermelhadas e crônicas que surgem em surtos, provocando um prurido intenso que pode levar a infecções secundárias pelo ato de coçar. Diferente da urticária comum, as pápulas são firmes e persistentes, localizando-se geralmente em áreas expostas do corpo. O tratamento foca no controle da coceira e, fundamentalmente, na prevenção do contato com os agentes causadores.
Leia mais sobre o Prurigo Estrófulo em: Prurigo Estrófulo ou “Alergia à Picada de Insetos”: o Que Fazer? Qual é o Melhor Anti Alérgico? O Melhor Repelente? Quando Devo me Preocupar? Como Tratar? Há cura?

4. Urticária Crônica Espontânea (UCE): Autoalérgica e Autoimune
Subtipo 1: Autoalérgico
É um subtipo de urticária crônica em que o próprio organismo produz IgE contra proteínas do próprio corpo. Essas IgEs se ligam aos mastócitos e, ao reconhecerem esses autoantígenos, provocam liberação de histamina. Na prática, funciona como uma “alergia contra si mesmo”. Costuma cursar com urticária persistente, às vezes mais difícil de controlar, mas sem um processo autoimune clássico mediado por autoanticorpos IgG.
Subtipo 2: Autoimune
Nesse tipo, o mecanismo é diferente: o organismo produz autoanticorpos (geralmente IgG) contra estruturas envolvidas na ativação do mastócito, principalmente o receptor de IgE (FcεRI) ou a própria IgE. Esses autoanticorpos ativam diretamente os mastócitos e basófilos, levando à liberação de histamina. Está mais associada a outras doenças autoimunes, como tireoidite autoimune, e tende a ser mais intensa e prolongada.
Subtipo 3: Idiopática
Quando nenhuma causa é encontrada, a UCE é classificada como idiopática. Este grupo tem diminuído devido aos avanços diagnósticos.

5. Investigação Diagnóstica: Encontrando a Causa
A. Urticária Aguda
A investigação é focada em identificar gatilhos. A história clínica é fundamental: medicamentos recentes (anti inflamatórios não esteroidais, antibióticos), infecções, alimentos devem ser considerados. Testes alérgicos podem ser utilizados quando há forte suspeita de alergia específica, como testes cutâneos de puntura (Prick Test) e IgE específica.
O que pode desencadear a Urticária Aguda (com menos de 6 semanas)?
Quais são os alimentos que causam urticária?
Alguns alimentos são conhecidos por liberar histamina ou causar reações em pessoas sensíveis. Entre os principais estão:
- Frutas e Vegetais: Banana, abacate, morango, tomate e pimentão.
- Proteínas: Ovos, peixes, frutos do mar e carnes enlatadas.
- Industrializados: Itens com muitos corantes e conservantes (como salsicha, frios e refrigerantes) ou ricos em gordura e fermentação, como chocolate e queijos amarelos.
- Além disso, condimentos fortes como pimenta, vinagre e mostarda, e o consumo de bebidas alcoólicas, podem agravar a dilatação dos vasos sanguíneos, piorando a coceira. Se você está em crise, o ideal é optar por uma dieta leve e consultar um dermatologista para identificar o seu gatilho específico.
Medicamentos
Muitas vezes a causa não está no prato, mas na farmácia. Medicamentos comuns, como aspirina e anti-inflamatórios, são gatilhos frequentes. Até mesmo vitaminas com corantes ou contrastes usados em exames de imagem podem desencadear as lesões.

B. Urticária Crônica (UCE e UCI)
A investigação é mais profunda. Os exames de triagem incluem hemograma completo, VHS, PCR, função tireoidiana e autoanticorpos (anti-TPO, anti-tireoglobulina), exames para H. pylori e parasitários, além de imagem em caso de suspeita de foco infeccioso.
Testes Específicos para Subtipos
Testes de estímulo ajudam a confirmar UCI: dermografismo com fricção da pele, urticária ao frio com aplicação de gelo e urticária de pressão com peso em coxa. Para UCE autoimune, pode ser realizado o Teste do Soro Autólogo, embora em desuso. Biópsia é reservada para casos atípicos para descartar urticária vasculite.
6. Evolução e Prognóstico: quando ela vai acabar?
Urticária Aguda
Prognóstico excelente, com resolução em dias ou semanas.
A urticária crônica tem cura?
Em muitos pacientes, sim.
A urticária crônica não costuma ser uma doença permanente. Ela é considerada crônica apenas porque dura mais de 6 semanas, mas isso não significa que será para sempre.
Estudos mostram que:
- Cerca de 30 a 50% dos pacientes entram em remissão espontânea em até 1 ano
- Aproximadamente 50 a 70% melhoram ou desaparecem em até 2 a 5 anos
- Uma minoria mantém sintomas por períodos mais longos
Ou seja, o curso mais comum é de desaparecimento gradual, mesmo em pessoas que tiveram quadros intensos.
Fatores de mau prognóstico incluem presença de angioedema, forma autoimune e longo tempo antes do tratamento adequado. O impacto na qualidade de vida é significativo.
7. Existe relação entre a Urticária e Dermatite Atópica?
Se você sofre com a pele ressecada e a coceira persistente da dermatite atópica (DA), saiba que o seu organismo pode estar mais propenso a manifestar também a urticária. A ciência já confirmou que existe uma conexão direta entre essas duas condições, sendo a dermatite um fator de risco importante para o surgimento de crises de urticária, tanto as agudas quanto as crônicas.
Estudos realizados por grandes instituições, como a Academia Americana de Dermatologia, mostram que quem tem dermatite atópica possui uma chance significativamente maior — que pode ser até nove vezes superior à de outras pessoas — de desenvolver urticária. Isso acontece porque ambas as condições compartilham uma base alérgica comum, muitas vezes ligada à asma e à rinite, formando o que chamamos de perfil “atópico”.
Em pacientes com urticária crônica, é muito comum encontrar níveis elevados de IgE (um anticorpo do sistema imunológico) e uma sensibilidade maior a ácaros ou pólen, características que também definem a dermatite atópica. Na prática, isso significa que quase metade das pessoas com urticária crônica espontânea apresenta algum outro componente alérgico associado.
8. Protocolos de Tratamento Mais Usados: quais são os melhores tratamentos?
Protocolo Internacional (EAACI/GA²LEN/EDF/WAO)
Nível 1: Antihistamínicos de Segunda Geração
São a primeira linha para todas as formas de urticária. Trinta porcento dos pacientes respondem a uma dose de anti histamínico por dia e 55% respondem a 4 doses de anti histamínico por dia. Exemplos: cetirizina, loratadina, fexofenadina, desloratadina e bilastina. Na forma aguda, usa-se a dose padrão.
Nível 2: Aumento da Dose
Em casos de urticária crônica, se a dose padrão não controlar os sintomas após 2 a 4 semanas, aumenta-se até 4 vezes a dose original. Essa estratégia é segura e eficaz.
Nível 3: Imunobiológico
. Quarenta e cinco porcento dos pacientes não respondem aos anti histamínicos e têm, portanto, indicação do imunobiológico.
O imunobiológico usado para tratamento é um anticorpo monoclonal que se liga à IgE livre, impedindo sua ação nos mastócitos. Administrado por via subcutânea a cada 4 semanas. É altamente eficaz para UCE, principalmente para o subtipo autoalérgico, com um controle total do quadro em torno de 84% dos pacientes após 6 meses de tratamento, associando o tratamento com antihistamínicos.
Há outras opções de imunobiológicos que se ligam às interleucinas 4 e 13, com resposta satisfatória.
Nível 4: Imunossupressores
Inclui medicamentos que diminuem um pouco a imunidade, propositalmente. De uso reservado, devido ao risco de efeitos colaterais. Indicado apenas em casos graves refratários. Alguns medicamentos atingem controle total da urticária em 77% dos pacientes após 4 semanas de tratamento, obtendo assim, uma melhora mais rápida que a dos imunobiológicos. Estão mais indicados para os pacientes com urticária crônica autoimune.
Corticosteroides Sistêmicos
Podem ser usados apenas em crises agudas e por curto período. Uso prolongado traz riscos significativos. Diretrizes recentes têm questionado a eficácia dessa estratégia.
Por que o corticóide não é a melhor opção na urticária?
1. Alívio rápido, mas passageiro
O corticóide “apaga o incêndio” na hora: diminui a coceira e as placas rapidamente.
O problema é que, ao suspender o remédio, as lesões costumam voltar iguais ou piores, criando um ciclo de dependência.
2. Não atua na causa do problema
Na maioria dos casos, a urticária é causada pela liberação de histamina pelos mastócitos.
Quem controla isso de forma adequada são os anti-histamínicos, usados de maneira contínua e ajustada — não o corticóide.
3. Efeito rebote
Após o uso repetido, o organismo pode reagir com reaparecimento mais intenso das lesões, fazendo a pessoa achar que “só o corticóide funciona”.
4. Risco aumenta com o uso repetido
Mesmo em doses consideradas “baixas”, o uso frequente transforma um remédio de emergência em um problema crônico.
Principais efeitos colaterais do uso repetido de corticóides sistêmicos
- Erupção acneiforme
Surgimento súbito de “espinhas” iguais entre si, geralmente no rosto, peito e costas, semelhante, mas diferente da acne como conhecemos. - Inchaço e retenção de líquido
Rosto mais arredondado, ganho de peso e sensação de inchaço. - Aumento da glicose no sangue
Pode descompensar ou precipitar diabetes. - Aumento da pressão arterial
- Alterações de humor e sono
Ansiedade, irritabilidade, agitação e insônia. - Queda da imunidade
Maior risco de infecções. - Afinamento da pele e estrias (com uso mais prolongado)
Então, quando o corticóide pode ser usado?
O corticóide sistêmico não é tratamento de rotina, mas pode ser usado pontualmente, por curto período, em crises muito intensas — sempre como exceção, não como regra.
👉 Urticária bem tratada não precisa de corticóide repetido.
O controle adequado é feito com anti-histamínicos ajustados corretamente e, em alguns casos, tratamentos específicos para urticária crônica.
Manejo do Angioedema (Quando É Perigosa a Urticária)
Casos leves a moderados respondem a altas doses de antihistamínicos e, ocasionalmente, corticoides curtos. Angioedema grave, com risco de via aérea, requer atendimento emergencial com adrenalina intramuscular, antihistamínicos EV e corticosteroides.
Alguma fruta é antialérgica?
Não existem alimentos com propriedades anti-alérgicas comprovadas que possam ser utilizados para o tratamento ou prevenção da urticária de modo geral. A American Academy of Allergy, Asthma, and Immunology orienta que dietas de eliminação empírica, sem base em história clínica ou testes específicos, não são recomendadas para urticária, pois não demonstraram benefício consistente e podem causar restrições alimentares desnecessárias e prejuízos nutricionais.
9. Conclusão
A urticária é tratável e controlável. Quem sofre de urticas frequentes ou angioedema deve procurar um especialista para investigação completa e definição de um protocolo de tratamento que permita controle total dos sintomas e uma vida sem coceira.


Tenho urticaria crônica faz 8 anos, crises frequentes e que duram meses, vem e vai embora quando quer,nao importa o que eu faça. Ainda nao fuz investigação que talvez precise.
Associo a problemas emocionais. Cuido do meu filho dependente químico e do filho dele com problemas de aprendizado.
Em fim nao sei mais o que fazer.
O estresse é gritante. Sem solução.
Estou apavorada precisando de ajuda.
Tenho zumbido no ouvido que me deixa louca.
Bebo pouca água. Nao tenho valvula de escape.Alem de problemas financeiros o esgotamento físico constante.
Por favor me ajude.
Sinto muito que você esteja passando por isso há tanto tempo. O que você descreve é muito compatível com urticária crônica espontânea, e o estresse emocional realmente pode ser um grande gatilho para piorar ou prolongar as crises — não costuma ser a causa única, mas frequentemente “alimenta o fogo”. Pelo tempo de 8 anos e pelas crises longas, vale muito a pena investigar e tratar de forma contínua, porque hoje existe tratamento em etapas que costuma controlar bem, mesmo em casos antigos.
No seu relato existe outro fator muito importante: você está em esgotamento extremo. Cuidar de um filho dependente químico, do neto com dificuldades, somado a pressão financeira, é pesado demais para uma pessoa só. Seu corpo está “gritando” através da pele, do zumbido, da tensão e do cansaço. A urticária melhora muito quando a pessoa consegue criar uma “válvula de escape”: terapia, atividade física leve, caminhada diária, rotina de sono, hidratação melhor e momentos pequenos de descanso real.
Você precisa de ajuda médica, mas também de rede de apoio emocional, porque seu sofrimento está muito alto. Se quiser, posso te ajudar a tratar a Urticária Crônica. Fico à disposição. Para mais detalhes basta clicar nos links de marcação acima.