Esta guia educativo completo sobre Onicomicose, popularmente conhecida como micose de unha, foi elaborado com base em artigos dos Anais Brasileiros de Dermatologia da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e em evidências científicas atualizadas.


A onicomicose subungueal distal e lateral é a forma mais comum de infecção fúngica nas unhas, ocorrendo quando os fungos invadem o leito ungueal pela borda livre ou pelas laterais. Esse processo causa espessamento (hiperqueratose), descolamento da lâmina e manchas de coloração amarelada ou esbranquiçada. Com o tempo, a unha torna-se frágil e quebradiça, podendo acumular detritos sob a superfície.
A onicomicose subungueal distal e lateral é a forma mais comum de infecção fúngica nas unhas, ocorrendo quando os fungos invadem o leito ungueal pela borda livre ou pelas laterais. Esse processo causa espessamento (hiperqueratose), descolamento da lâmina e manchas de coloração amarelada ou esbranquiçada. Com o tempo, a unha torna-se frágil e quebradiça, podendo acumular detritos sob a superfície.

O que é a Onicomicose? (Definição)

A onicomicose é uma infecção das unhas, principalmente nos pés, causada por fungos microscópicos. É uma das doenças de pele (dermatoses) mais frequentes no mundo, com uma prevalência que varia entre 7% e 10% da população geral.

Embora muitos a vejam apenas como um problema estético, a onicomicose é uma condição médica que responde por 15% a 40% de todas as alterações que ocorrem nas unhas. Ela pode afetar tanto as mãos quanto os pés, embora seja muito mais comum nas unhas dos pés devido ao ambiente úmido e fechado dos calçados e crescimento mais lento dessas unhas em relação às das mãos.

Porque a micose de unha é mais comum em adultos e idosos?

A prevalência da onicomicose aumenta significativamente com o envelhecimento, tornando-se uma das condições ungueais mais comuns na terceira idade. Enquanto em crianças a incidência é inferior a 1%, estima-se que em adultos acima de 60 anos a taxa suba para 30%, podendo chegar a 60% em indivíduos com mais de 70 anos e até 80% daqueles com mais de 80 anos de idade.


Por que o risco aumenta com a idade?

Essa progressão não é por acaso; ela ocorre devido a uma combinação de mudanças biológicas e o acúmulo de fatores de risco ao longo da vida:


Observa-se uma correlação positiva entre o avanço da idade e a ocorrência de onicomicose, que se estabelece como uma patologia ungueal predominante na população idosa.
Observa-se uma correlação positiva entre o avanço da idade e a ocorrência de onicomicose, que se estabelece como uma patologia ungueal predominante na população idosa.

Causas e Formas de Contágio

A infecção ocorre quando fungos conseguem penetrar na unha ou na pele ao redor dela através de pequenas fissuras ou traumas. Os principais agentes causadores são5:

Como se pega a micose de unha?

Os fungos estão presentes em toda parte. O contágio geralmente ocorre em locais úmidos e quentes, onde as pessoas andam descalças, como:


Tipos Clínicos da Onicomicose

A aparência da unha infectada varia conforme o modo como o fungo entra e se espalha. As principais classificações são:

  1. Onicomicose Subungueal Distal e Lateral: É a forma mais comum. O fungo entra pela borda livre (ponta) ou lateral da unha, deixando-a amarelada ou esbranquiçada e com acúmulo de “farelo” (ceratose) por baixo.
  2. Onicomicose Superficial Branca: Surgem manchas brancas opacas na superfície da lâmina da unha.
  3. Onicomicose Proximal Subungueal: A mancha clara aparece perto da cutícula (matriz ungueal). É mais rara e pode estar associada a condições de baixa imunidade.
  4. Onicomicose Distrófica Total: É o estágio avançado, onde toda a estrutura da unha está destruída, grossa e quebradiça.
A onicomicose subungueal proximal ocorre quando os fungos invadem a unha através da dobra ungueal proximal, migrando no sentido do crescimento. Caracteriza-se por manchas brancas ou opacas que surgem na região da lúnula (próximo à cutícula), sob a lâmina ungueal. Embora seja a forma menos comum na população geral, é considerada um importante marcador clínico de imunodeficiência. Frequentemente, sua presença levanta a suspeita de condições como o vírus HIV, exigindo investigação médica.
A onicomicose subungueal proximal ocorre quando os fungos invadem a unha através da dobra ungueal proximal, migrando no sentido do crescimento. Caracteriza-se por manchas brancas ou opacas que surgem na região da lúnula (próximo à cutícula), sob a lâmina ungueal. Embora seja a forma menos comum na população geral, é considerada um importante marcador clínico de imunodeficiência. Frequentemente, sua presença levanta a suspeita de condições como o vírus HIV, exigindo investigação médica.

Diagnóstico: Por que não basta “olhar”?

Um erro comum é iniciar o tratamento sem um diagnóstico médico. Nem tudo que amarela ou engrossa a unha é micose. O diagnóstico de certeza não é clínico, ou seja, exige exames laboratoriais.

O Exame Micológico:

Para garantir o sucesso do tratamento, o dermatologista solicita:

Preparo para o exame micológico:

Meu exame micológico veio negativo: posso descartar a micose?

Infelizmente não! É fundamental compreender que um resultado negativo no exame micológico não é garantia de que a infecção não exista. Na medicina, chamamos isso de falso-negativo, e ele pode ocorrer por diversos fatores técnicos ou biológicos.

Por que o exame pode falhar?

O que fazer após um resultado negativo?

Quando os sintomas clínicos são muito claros (unha amarelada, grossa ou esfarelando), o dermatologista geralmente adota as seguintes estratégias:

  1. Repetir a coleta: Uma nova amostra pode capturar o fungo que “escapou” na primeira vez. Recomenda-se a realização de até 3 exames micológico para comprovar a presença do fungo.
  2. Solicitar o Clipping Ungueal: Como explicado anteriormente, a análise histopatológica do corte da unha é mais sensível.
  3. Avaliar diagnósticos diferenciais: Investigar se não se trata de psoríase, líquen plano ou traumas mecânicos ou químicos.

Importante: O diagnóstico de onicomicose é um “quebra-cabeça” que une o exame físico, a história do paciente e os resultados laboratoriais.


O Dr. Rafael Moraes é Membro Titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia, possui Residência Médica pelo Hospital das Clínicas da UFMG e Título de especialista em Dermatologia pela SBD, além de mais de 15 anos de experiência e 60 mil pacientes atendidos. Possui larga experiência no manejo e tratamento de pacientes com onicomicose.
O Dr. Rafael Moraes é Membro Titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia, possui Residência Médica pelo Hospital das Clínicas da UFMG e Título de especialista em Dermatologia pela SBD, além de mais de 15 anos de experiência e 60 mil pacientes atendidos. Possui larga experiência no manejo e tratamento de pacientes com onicomicose.

Usando o Dermatoscópio para dar o diagnóstico: a Onicoscopia.

O que o médico vê no exame da unha? Para identificar a micose, o dermatologista pode usar um aparelho de aumento chamado dermatoscópio. Através dele, é possível enxergar padrões típicos da infecção, como o aspecto de “muro desabando” ou “aurora boreal”, onicólise (descolamento) “espiculado” que indicam a presença de fungos. Vale lembrar que os fungos dermatófitos são os grandes vilões, sendo responsáveis por 60 a 90% dos casos de micose de unha

Diagnóstico Diferencial e Complicações

Muitas doenças mimetizam a micose de unha. Entre as principais estão a psoríase ungueal, traumas repetitivos por calçados, líquen plano e até o melanoma subungueal (um tipo de câncer de pele). Neste artigo eu explico mais sobre a psoríase.

E se eu não tratar? (Complicações)

A onicomicose não tratada pode evoluir para:


Tratamentos e Eficácia

O tratamento é demorado porque depende do crescimento da unha nova, que leva de 6 meses (mãos) a 12 meses (pés). As opções são:

Terapia Tópica (Esmaltes e Soluções)

Indicada para casos leves, quando a matriz da unha não foi afetada. É usado principalmente quando o paciente não pode tomar comprimidos por problemas de saúde. Ele também serve como um reforço poderoso quando usado com a medicação oral, ajudando na limpeza da unha e, o mais importante, evitando que a infecção retorne após o término do tratamento principal.

Terapia Sistêmica (Comprimidos). Quando usar remédios em comprimido?

O tratamento via oral (comprimidos) é indicado quando a micose atinge áreas mais difíceis, como a raiz da unha ou mais de 50% da sua superfície. Também é a escolha quando quatro ou mais unhas estão doentes ou se a unha estiver muito grossa (acima de 2mm). Nesses casos, apenas os cremes e esmaltes não conseguem penetrar o suficiente para eliminar o fungo. Os medicamentos mais usados são:

Terapia Combinada

Muitas vezes, a união do esmalte com o comprimido apresenta as maiores taxas de cura e reduz o tempo de tratamento.

Quando é necessário remover a unha?

A retirada da unha (avulsão) não é feita por estética, mas sim por necessidade médica em casos específicos e raros.Em desuso devido ao risco de lesão da matriz da unha, ela é indicada quando o paciente sente muita dor, se houver infecção na carne ao redor (unheiro), ou se a unha estiver muito grossa e com mais de 75% da sua extensão comprometida. Essa medida ajuda a limpar o local e permite que os remédios cheguem melhor à raiz.

Cuidados essenciais no dia a dia

O sucesso do tratamento da micose não depende apenas de remédios, mas de hábitos simples. É fundamental usar calçados arejados sempre que possível para evitar a umidade que os fungos adoram. Além disso, após o banho, seque muito bem entre os dedos usando uma toalha exclusiva para os pés ou até um secador de cabelo, garantindo que a área fique totalmente seca.

O Dr. Rafael Moraes é Membro Titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia, possui Residência Médica pelo Hospital das Clínicas da UFMG e Título de especialista em Dermatologia pela SBD, além de mais de 15 anos de experiência e 60 mil pacientes atendidos. Possui larga experiência no manejo e tratamento de pacientes com onicomicose.
O Dr. Rafael Moraes é Membro Titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia, possui Residência Médica pelo Hospital das Clínicas da UFMG e Título de especialista em Dermatologia pela SBD, além de mais de 15 anos de experiência e 60 mil pacientes atendidos. Possui larga experiência no manejo e tratamento de pacientes com onicomicose.

O Papel do Podólogo no Tratamento

O podólogo é um aliado fundamental do dermatologista. O auxílio profissional inclui:

Como evitar que a micose volte?

Mesmo após a unha parecer curada, o fungo ainda pode estar por perto, por isso a prevenção é necessária. Os médicos recomendam aplicar o esmalte terapêutico duas vezes por mês durante 6 meses ou manter o uso da Terbinafina por mais um mês após a confirmação da cura. Além disso, o uso da Biotina pode ser um aliado para fortalecer a nova unha que está crescendo

8. Dúvidas Comuns dos Pacientes

1. Remédios caseiros funcionam?

Não há evidência científica de que vinagre ou água sanitária curem onicomicose. Pelo contrário, podem causar queimaduras químicas e irritações graves na pele.

2. Posso pintar a unha durante o tratamento?

Esmaltes comuns formam uma barreira que impede o remédio de penetrar. O ideal é usar apenas o esmalte terapêutico prescrito pelo médico ou seguir a orientação específica do seu dermatologista.

Conclusão e Dicas de Prevenção

O sucesso contra a onicomicose exige paciência e disciplina. Para evitar o contágio.

  1. Não compartilhe alicates ou lixas.
  2. Mantenha os pés sempre secos, inclusive entre os dedos.
  3. Prefira meias de algodão.
  4. Ao notar qualquer alteração, procure um dermatologista.
O Dr. Rafael Moraes é Membro Titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia, possui Residência Médica pelo Hospital das Clínicas da UFMG e Título de especialista em Dermatologia pela SBD, além de mais de 15 anos de experiência e 60 mil pacientes atendidos. Possui larga experiência no manejo e tratamento de pacientes com onicomicose.
O Dr. Rafael Moraes é Membro Titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia, possui Residência Médica pelo Hospital das Clínicas da UFMG e Título de especialista em Dermatologia pela SBD, além de mais de 15 anos de experiência e 60 mil pacientes atendidos. Possui larga experiência no manejo e tratamento de pacientes com onicomicose.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *