O HPV (Papilomavírus Humano) é um vírus que pode causar diversos tipos de alterações na nossa pele e nas mucosas (como boca e região genital). Essas manifestações variam muito: em alguns casos, o vírus fica “escondido” e não apresenta sinais; em outros, causa verrugas comuns e benignas. No entanto, em situações mais graves, ele pode levar ao surgimento de lesões pré-cancerígenas ou até ao câncer propriamente dito.

Existem centenas de tipos de HPV sendo descobertos continuamente. Alguns deles são classificados como de alto risco, o que significa que têm maior potencial de transformar uma célula saudável em um tumor.

Por que é importante entender como o vírus funciona? Saber como o HPV é transmitido e como ele age no corpo é o primeiro passo para o diagnóstico correto, o tratamento eficaz e, principalmente, para a prevenção.

Neste artigo, vamos explicar de forma clara:

Riscos e cuidados especiais: Como o vírus pode evoluir para casos graves, especialmente em pessoas que estão com o sistema imunológico mais enfraquecido.

Como o vírus se espalha: Com foco na realidade do Brasil, onde o HPV é uma das infecções sexualmente transmissíveis mais comuns.

O que ele causa na pele: As famosas verrugas que vemos no dia a dia dos consultórios de dermatologia, tão comuns em nossa população.

1. Verruga ou “Sinal”? Entenda as Diferenças

Muitos pacientes chegam ao consultório preocupados com lesões que acreditam ser verrugas, mas que na verdade são outras condições de pele. A diferenciação correta é o primeiro passo para o tratamento adequado de cada lesão.

Tabela Comparativa: Verruga Viral vs. Outras Lesões Comuns

CaracterísticaVerruga Viral (HPV)Nevo Melanocítico (Pinta)Ceratose SeborreicaAcrocórdon (Fibroma mole)
OrigemInfecção pelo vírus HPV.Proliferação de melanócitos.Envelhecimento cutâneo benigno.Proliferação benigna da derme.
AparênciaSuperfície rugosa, áspera (“couve-flor”).Mancha ou relevo liso, geralmente escuro e antigo.Aspecto áspero, “ceroso” ou de “sujeira grudada”.Pequena “bolinha” pendurada e mole, geralmente nas dobras.
LocalizaçãoMãos, pés, joelhos, genitais.Qualquer parte do corpo.Face, tronco e dorso das mãos.Pescoço, axilas e virilhas.
ContágioSim. Não.Não.Não.
Pontos PretosFrequentemente visíveis (capilares trombosados).Pigmentação uniforme ou variada.Podem ter pequenos cistos de queratina.Não possui pontos pretos.

O Dr. Rafael Moraes é Membro Titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia, possui Residência Médica pelo Hospital das Clínicas da UFMG e Título de especialista em Dermatologia pela SBD, além de mais de 15 anos de experiência e 60 mil pacientes atendidos. Possui larga experiência no manejo, diagnóstico e tratamento com diversas modalidades de pacientes com verrugas.
As verrugas nas mãos, conhecidas como verrugas vulgares, são causadas pelo vírus HPV e apresentam-se como elevações ásperas e endurecidas, muitas vezes com pequenos pontos pretos no centro. Elas são altamente contagiosas, espalhando-se facilmente através de microcortes na pele ou pelo hábito de roer as unhas. Embora benignas, exigem tratamento dermatológico para evitar que se espalhem para outras pessoas ou outras partes do próprio corpo.
As verrugas nas mãos, conhecidas como verrugas vulgares, são causadas pelo vírus HPV e apresentam-se como elevações ásperas e endurecidas, muitas vezes com pequenos pontos pretos no centro. Elas são altamente contagiosas, espalhando-se facilmente através de microcortes na pele ou pelo hábito de roer as unhas. Embora benignas, exigem tratamento dermatológico para evitar que se espalhem para outras pessoas ou outras partes do próprio corpo.

2. Epidemiologia: Quem o HPV Ataca?

O HPV é extremamente onipresente. Existem mais de 200 tipos identificados.


3. Patogênese: Como o Vírus Age?

O HPV infecta a camada basal da epiderme (a camada mais profunda da pele). Ele entra por meio de pequenos traumas e “sequestra” a maquinaria da célula para se reproduzir. À medida que as células da pele crescem e sobem para a superfície, o vírus amadurece e é liberado, causando a proliferação excessiva de células que forma a verruga (acantose e papilomatose).


4. Como as Lesões se Apresentam

As manifestações dependem do tipo de vírus e do local da infecção:

  1. Verruga Vulgar: Comum em mãos, dedos e cotovelos. Apresenta-se como pápulas endurecidas e ásperas.
  2. Verruga Plantar (“Olho de Peixe”): Localizada na sola dos pés. É o tipo mais comum de verruga na planta do pé. Devido ao peso do corpo, ela cresce para dentro (endofítica) e pode ser dolorosa ao caminhar.
  3. Verrugas Planas: Pápulas lisas e pouco elevadas, comuns na face e pernas.
  4. Condiloma Acuminado: Lesões na região genital e anal, com aspecto úmido e de couve-flor.
  5. Epidermodisplasia Verruciforme: Uma condição genética rara que torna o paciente extremamente suscetível ao HPV e ao câncer de pele.
  6. Verrugas periungueais: Localizam-se ao redor das unhas e surgem frequentemente em quem possui o hábito de roer as unhas (onicofagia), pois as microlesões facilitam a entrada do vírus. Elas podem ser dolorosas, causar fissuras na pele e, se não tratadas, avançar para baixo da unha, tornando-se subungueais e deformando o crescimento da lâmina. O tratamento é desafiador devido à espessura da pele na região, exigindo persistência para evitar que a infecção destrua a matriz ungueal permanentemente. Geralmente melhora após o uso de vários métodos de tratamento simultâneos.
  7. Verrugas filiformes: São projeções finas, alongadas e perpendiculares à superfície da pele, assemelhando-se a pequenos “dedos” ou franjas. Elas ocorrem predominantemente na face, especialmente ao redor do nariz, boca e pálpebras, além do pescoço, áreas onde a pele é mais delicada. Por serem salientes, apresentam um risco elevado de autoinoculação através do trauma, como ao barbear-se ou coçar o rosto. O tratamento é geralmente rápido e envolve métodos destrutivos.
As verrugas do tipo mirmécia (popularmente conhecidas como "olho de peixe") são lesões profundas e dolorosas que ocorrem nas plantas dos pés, caracterizadas por um crescimento para dentro da pele e uma aparência semelhante a uma "formiga" (do grego myrmekia). Diferente das verrugas plantares superficiais, elas possuem um aspecto de cratera com uma superfície amarelada e pontos pretos centrais, sendo causadas principalmente pelo HPV tipo 1. Devido à sua profundidade e sensibilidade ao peso do corpo, costumam exigir tratamentos mais intensos e persistentes para a completa remoção.
As verrugas que ocorrem nas plantas dos pé do tipo mirmécia (popularmente conhecidas como “olho de peixe”) são lesões profundas e dolorosas que ocorrem nas plantas dos pés, caracterizadas por um crescimento para dentro da pele e uma aparência semelhante a uma “formiga” (do grego myrmekia). Diferente das verrugas plantares superficiais, elas possuem um aspecto de cratera com uma superfície amarelada e pontos pretos centrais, sendo causadas principalmente pelo HPV tipo 1. Devido à sua profundidade e sensibilidade ao peso do corpo, costumam exigir tratamentos mais intensos e persistentes para a completa remoção.
As verrugas subungueais crescem sob as unhas, causando dor e deformidades na medida em que elevam a placa ungueal. Seu tratamento é difícil devido à localização profunda, que protege o vírus HPV e dificulta a penetração de medicamentos, exigindo muitas vezes terapias combinadas. Além disso, procedimentos mais agressivos no local podem causar danos permanentes na matriz da unha, o que demanda um cuidado especializado para evitar cicatrizes.
As verrugas periungueais, às vezes crescem sob as unhas, causando dor e deformidades na medida em que elevam a placa ungueal. Seu tratamento é difícil devido à localização profunda, que protege o vírus e dificulta a penetração de medicamentos, exigindo muitas vezes terapias combinadas. Além disso, procedimentos mais agressivos no local podem causar danos permanentes na matriz da unha, o que demanda um cuidado especializado para evitar cicatrizes.
As verrugas filiformes são projeções finas e alongadas, comuns na face e pescoço, que se assemelham a pequenos dedos ou franjas na pele. Elas frequentemente exibem pequenos pontos escuros em sua superfície, que são capilares trombosados (vasos sanguíneos entupidos) visíveis devido ao crescimento acelerado da lesão. Essa característica ajuda o dermatologista a diferenciá-las de outras condições e confirma a atividade do vírus HPV no local.
As verrugas filiformes são projeções finas e alongadas, comuns na face e pescoço, que se assemelham a pequenos dedos ou franjas na pele. Elas frequentemente exibem pequenos pontos escuros em sua superfície, que são capilares trombosados (vasos sanguíneos entupidos) visíveis devido ao crescimento acelerado da lesão. Essa característica ajuda o dermatologista a diferenciá-las de outras condições e confirma a atividade do vírus no local.

Porque as verrugas proliferam nos arranhados e machucados?

O fenómeno de Koebner (também chamado de resposta isomórfica) ocorre quando novas lesões surgem em áreas da pele que sofreram algum tipo de trauma ou irritação. É uma forma de “autoinoculação”, onde o vírus aproveita uma pequena ferida para se instalar e espalhar.

Aqui estão os pontos principais para entender como funciona:

Por este motivo, os dermatologistas recomendam vivamente que os pacientes não tentem manipular, cortar ou coçar as verrugas, e que tenham cuidado redobrado ao barbear ou depilar áreas próximas das lesões, para evitar que a infeção se espalhe por toda a região.

O fenômeno de Koebner ocorre quando novas verrugas surgem em áreas de pele saudável que sofreram traumas ou irritações, como cortes, arranhões ou o ato de barbear. Nesses locais, o vírus HPV aproveita a quebra da barreira cutânea para se instalar, criando lesões que muitas vezes seguem o formato linear do ferimento original. Por isso, evitar manipular ou coçar as verrugas é essencial para impedir que elas se "espalhem" seguindo esse padrão.
O fenômeno de Koebner ocorre quando novas verrugas surgem em áreas de pele saudável que sofreram traumas ou irritações, como cortes, arranhões ou o ato de barbear. Nesses locais, o vírus aproveita a quebra da barreira cutânea para se instalar, criando lesões que muitas vezes seguem o formato linear do ferimento original. Por isso, evitar manipular ou coçar as lesões é essencial para impedir que elas se “espalhem” seguindo esse padrão.

5. Diagnóstico Por Meio de Exames

Na maioria das vezes, o diagnóstico é clínico (apenas com o exame visual do dermatologista). Porém, em casos duvidosos ou com suspeita de malignidade, utiliza-se:


6. Tratamento:

Não existe um remédio que “cure” o vírus definitivamente, mas existem diversas formas de destruir as lesões e estimular o corpo a combatê-lo.

Opções Locais

Opções Sistêmicas e Off-label (que não possuem indicação nas bulas dos medicamentos)

Em casos persistentes ou múltiplos, o médico pode considerar tratamentos como o uso de antagonistas dos receptores H2 de histamina ou derivados da Vitamina A, embora as evidências variem.


Após a aplicação do nitrogênio líquido, a verruga sofre um congelamento que forma uma bolha (as vezes com conteúdo hemorrágico) para separar a lesão da pele saudável. Nos dias seguintes, essa bolha seca e se transforma em uma crosta escura que cai naturalmente em até duas semanas, levando o tecido infectado junto. É fundamental não remover a crosta precocemente para garantir que a pele cicatrize sem manchas e que o vírus seja efetivamente eliminado.
Após a aplicação do nitrogênio líquido através da Crioterapia, a verruga sofre um congelamento que forma uma bolha (as vezes com conteúdo hemorrágico) para separar a lesão da pele saudável. Nos dias seguintes, essa bolha seca e se transforma em uma crosta escura que cai naturalmente em até duas semanas, levando o tecido infectado junto. É fundamental não remover a crosta precocemente para garantir que a pele cicatrize sem manchas e que o vírus seja efetivamente eliminado.

7. Prevenção: O Papel da Vacina

A prevenção é a ferramenta mais poderosa contra o HPV.


8. Dúvidas Comuns dos Pacientes (FAQ)

1. Verruga pega no banheiro ou piscina?

Embora o vírus possa sobreviver em superfícies úmidas, a transmissão indireta é menos comum que o contato direto pele a pele. Microtraumas na pele facilitam a entrada do vírus.

2. Posso cortar a verruga em casa?

Nunca. Cortar ou tentar remover a verruga sem auxílio médico causa sangramento (o vírus se espalha pelo sangue local), aumenta o risco de infecção bacteriana e pode gerar cicatrizes permanentes.

3. Verruga pode virar câncer?

As verrugas comuns da pele raramente viram câncer. No entanto, certos tipos de HPV na região genital e anal são considerados de “alto risco oncogênico” e exigem monitoramento rigoroso.

Leia mais sobre o câncer de pele em: Câncer de pele: entenda a regra dos 6 sinais (ABCDEF) para identificar uma lesão suspeita com este guia completo.

4. O tratamento dói?

Procedimentos como crioterapia podem causar um desconforto temporário (ardência), mas são rápidos e realizados com técnicas para minimizar a dor.

5. Qual tipo de verruga devo me preocupar?

  1. Lesões que Mudam de Aspeto: Se uma verruga começar a crescer muito rápido, mudar de cor, sangrar facilmente, ficar ferida (ulcerar) ou causar dor intensa, pode não ser uma verruga comum. Em alguns casos, um carcinoma espinocelular (um tipo de cancro de pele) pode assemelhar-se visualmente a uma verruga persistente.
  2. Em Pacientes Imunossuprimidos: Se tem o sistema imunitário enfraquecido (por doenças como o VIH, transplantes ou uso de quimioterapia), as verrugas podem espalhar-se de forma agressiva e têm um risco muito maior de se tornarem malignas. Nestes casos, o acompanhamento médico deve ser contínuo.
  3. Lesões que não respondem ao tratamento: Lesões que “voltam” repetidamente ou que não desaparecem com tratamentos convencionais de farmácia precisam de uma biópsia ou avaliação especializada para confirmar se o diagnóstico está correto.

Lembre-se: A principal preocupação deve ser o diagnóstico correto. Muitas vezes, o que o paciente pensa ser uma verruga é, na verdade, um sinal (nevo), uma ceratose ou até uma lesão maligna inicial. Nunca tente “cortar” ou queimar lesões suspeitas em casa.

6. Tomar a vacina para HPV ajuda a tratar as lesões rebeldes ao tratamento?

É importante esclarecer que, embora a vacina ainda possa ser recomendada pelo médico em contextos específicos, ela não funciona como um tratamento para eliminar as lesões que já existem. Entenda os motivos principais:

7. Devo avaliar o meu sistema imunológico?

Ter verrugas não significa, necessariamente, que a sua imunidade é “baixa” ou “ruim”. Na verdade, a maioria das pessoas portadoras são perfeitamente saudáveis. Entenda por que o vírus consegue aparecer mesmo em organismos fortes:

No entanto, se as lesões forem muito numerosas, se espalharem rapidamente por todo o corpo ou não responderem a nenhum tratamento, aí sim o dermatologista pode investigar se há alguma deficiência imunológica específica. Na grande maioria dos casos, é apenas uma questão de “educar” o sistema imune local através do tratamento para que ele aprenda a combater o vírus.

Conclusão: A infecção pelo HPV é comum e tratável. A chave para o sucesso é o diagnóstico precoce e a prevenção através da vacinação. Se você notou alguma lesão suspeita, não utilize remédios caseiros. Procure um dermatologista para um tratamento seguro e eficaz.

O Dr. Rafael Moraes é Membro Titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia, possui Residência Médica pelo Hospital das Clínicas da UFMG e Título de especialista em Dermatologia pela SBD, além de mais de 15 anos de experiência e 60 mil pacientes atendidos. Possui larga experiência no manejo, diagnóstico e tratamento com diversas modalidades de pacientes com verrugas.

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