1. O que é a dermatite atópica?

A dermatite atópica, também conhecida como eczema atópico, é uma doença de pele inflamatória, crônica e não contagiosa. Ela se manifesta através de lesões na pele e coceira intensa, com períodos de melhora e piora (crises).

Fatos essenciais sobre a DA:

Entender por que a pele atópica é diferente é o primeiro e mais importante passo para aprender a cuidar dela da maneira correta e, assim, assumir o controle da doença.

O Dr. Rafael Moraes é Membro Titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia, possui Residência Médica pelo Hospital das Clínicas da UFMG e Título de especialista em Dermatologia pela SBD, além de mais de 15 anos de experiência e 60 mil pacientes atendidos. Possui larga experiência no manejo e tratamento de pacientes portadores de dermatite atópica dos diversos graus de gravidade.
O Dr. Rafael Moraes é Membro Titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia, possui Residência Médica pelo Hospital das Clínicas da UFMG e Título de especialista em Dermatologia pela SBD, além de mais de 15 anos de experiência e 60 mil pacientes atendidos. Possui larga experiência no manejo e tratamento de pacientes portadores de dermatite atópica dos diversos graus de gravidade.

2. Por Que a Pele Atópica É Diferente?

Para compreender a dermatite atópica, precisamos primeiro falar sobre a barreira cutânea. Imagine a camada mais externa da pele saudável como uma parede de tijolos (as células da pele) perfeitamente unidos por um cimento forte e coeso (os lipídios, como as ceramidas). Essa parede é impermeável, mantendo a hidratação dentro do corpo e os agressores externos, como bactérias e alérgenos, do lado de fora.

Na pele com dermatite atópica, essa parede é como se tivesse um cimento falho. Há uma diminuição de componentes essenciais, como as ceramidas, e de uma proteína chamada filagrina, que ajuda a manter a estrutura dos “tijolos”. Com isso, a barreira se torna permeável, resultando em duas consequências principais:

Consequências principais

Na DA, a pele mais permeável facilita a penetração profunda de substâncias irritantes e alérgenos, como metais, fragrâncias e conservantes. Essa exposição facilitada hiperestimula o sistema imunológico, que já é naturalmente mais reativo nesses indivíduos, levando à sensibilização.

Além disso, o uso frequente de múltiplos cremes e pomadas terapêuticas aumenta o contato prolongado com potenciais sensibilizantes químicos. Com o tempo, o corpo passa a identificar essas substâncias como ameaças, desencadeando reações alérgicas inflamatórias mesmo após contatos mínimos. Portanto, o controle da dermatite atópica não envolve apenas hidratar, mas também selecionar produtos hipoalergênicos para evitar essa complicação secundária.

A Dermatite Atópica é contagiosa?

A dermatite atópica não é uma doença contagiosa, portanto, não é transmitida pelo toque, abraço ou compartilhamento de objetos. Ela é uma condição genética e hereditária, causada por uma falha na barreira de proteção da pele, que a torna extremamente seca e sensível a agentes externos.

O aspecto de vermelhidão, descamação ou feridas é apenas uma reação inflamatória do sistema imunológico a gatilhos como poeira, pólen, calor ou estresse. É fundamental combater o estigma social, pois o isolamento causado pelo medo de “contágio” gera um impacto emocional severo no paciente. A convivência é totalmente segura; o que quem tem dermatite realmente precisa é de empatia e hidratação, nunca de afastamento.

Agora que entendemos a raiz do problema e que a DA não é contagiosa, vamos aprender a reconhecer como ele se manifesta no dia a dia.

3. Como a Dermatite Atópica se Manifesta? (sintomas da DA)

As características da doença mudam bastante conforme a idade. São essas características que permitem que o diagnóstico da dermatite atópica seja “clínico”, ou seja, feito pelo médico com base na aparência e na localização das lesões, nos sintomas relatados (especialmente a coceira) e na história pessoal e familiar do paciente.

É importante dizer que não existe um exame de sangue ou teste específico para diagnosticar a dermatite atópica.

Faixa etária — principais características das lesões

Faixa EtáriaPrincipais Características das Lesões
Infância (0-2 anos)As lesões são mais “úmidas” (exsudativas), com vermelhidão, pequenas bolhas e crostas. Aparecem principalmente no rosto (bochechas), couro cabeludo e tronco.
Crianças/Adolescentes (2-16 anos)As lesões tornam-se mais secas, crônicas e localizadas. Acometem tipicamente as áreas de dobras, como a parte de trás dos joelhos e a frente dos cotovelos. A pele pode ficar mais espessa (liquenificação) devido ao ato de coçar.
AdultosA apresentação é mais variável, podendo se manifestar como um eczema crônico nas mãos, pescoço, rosto e parte superior do tronco. A pele é geralmente muito seca e espessa nas áreas afetadas.

Estágios temporais das lesões:

O sintoma mais universal e incômodo é o prurido (coceira). Ele é tão central para a doença que é considerado um critério diagnóstico maior: se não coça, talvez não seja é dermatite atópica. Uma vez que o diagnóstico é confirmado, o tratamento eficaz se baseia em uma estratégia completa e consistente.

A dermatite atópica frequentemente atinge as flexuras cubitais (a dobra interna do braço), onde o acúmulo de suor e o atrito constante da pele facilitam a inflamação. Nessas regiões, é comum observar uma vermelhidão intensa, descamação e uma coceira persistente que pode até ferir o local. Por ser uma área de articulação, a pele tende a ficar mais grossa e sensível, exigindo hidratação reforçada para evitar crises.
A dermatite atópica frequentemente atinge as flexuras cubitais (a dobra interna do braço), onde o acúmulo de suor e o atrito constante da pele facilitam a inflamação. Nessas regiões, é comum observar uma vermelhidão intensa, descamação e uma coceira persistente que pode até ferir o local. Por ser uma área de articulação, a pele tende a ficar mais grossa e sensível, exigindo hidratação reforçada para evitar crises.
placas eritematosas liquenificadas de dermatite atópica nos joelhos.
Imagem da dermatite atópica acometendo a porção extensora dos joelhos.
Em lactentes, a dermatite atópica frequentemente se manifesta nas regiões malares, deixando as bochechas muito vermelhas, ásperas e brilhantes. Essa área é um alvo comum nessa fase porque a pele do bebê é extremamente fina e reage facilmente a estímulos externos, causando coceira e desconforto.
Em lactentes, a dermatite atópica frequentemente se manifesta nas regiões malares, deixando as bochechas muito vermelhas, ásperas e brilhantes. Essa área é um alvo comum nessa fase porque a pele do bebê é extremamente fina e reage facilmente a estímulos externos, causando coceira e desconforto.

A dermatite atópica tem cura?

A dermatite atópica (DA) é uma condição desafiadora sem um medicamento que garanta uma cura definitiva, mas o cenário atual é muito mais esperançoso do que era há uma década.

Aqui está uma explicação clara sobre como a doença funciona hoje:


1. Não tem “cura”, mas tem controle total

A dermatite atópica é uma condição genética e inflamatória crônica. Dizer que ela não tem cura significa que a predisposição da pele para ser mais sensível e seca continua lá. No entanto, o objetivo do tratamento moderno não é apenas “remediar” as crises, mas sim deixar a pessoa assintomática.

Com o tratamento correto, é possível viver sem coceira, sem feridas e com a pele íntegra, como se a doença não estivesse ali.

2. A revolução dos novos medicamentos

Nos últimos anos, a medicina deu um salto gigantesco no tratamento da DA. Saímos da era em que só tínhamos cremes de corticóide, hidratantes e imunossupressores.

3. O fator tempo: a “remissão”

Uma notícia muito positiva é que a dermatite atópica tem um comportamento que chamamos de história natural de melhora.

Sou adulto e tenho Dermatite Atópica!

A dermatite atópica (DA) no adulto pode ser uma continuação de um quadro iniciado na infância ou, em alguns casos, surgir pela primeira vez após os 12 ou 18 anos, dependendo da fonte. Embora a base da doença seja a mesma — uma falha na barreira cutânea e uma resposta imune exagerada — a forma como ela se manifesta no corpo muda significativamente com a idade.

Aqui estão as principais diferenças entre as duas:

a. Localização das Lesões

b. Aparência da Pele (Liquenificação)

No adulto, devido ao tempo prolongado de inflamação e ao ato de coçar crônico, a pele passa por um processo chamado liquenificação: ela se torna mais grossa, rígida e com os sulcos naturais muito acentuados, assemelhando-se ao aspecto de um couro ou tronco de árvore. Na infância, a pele é geralmente mais avermelhada e com crostas.

c. Impacto Psicossocial

Enquanto na infância o foco é o controle das crises para o crescimento saudável, no adulto a DA traz um impacto severo na qualidade de vida profissional e social. O prurido (coceira) intenso muitas vezes causa privação de sono, o que pode levar a quadros de ansiedade e depressão com maior frequência do que em crianças.


Existe algum creme que seja “o melhor” para a Dermatite Atópica?

Para a Dermatite Atópica, o “melhor” creme não é exatamente um remédio, mas sim um emoliente de alta performance. Na atopia, a sua pele tem um “defeito” na barreira de proteção (falta de filagrina e gorduras naturais), o que faz a água evaporar e os irritantes entrarem.

O que um creme precisa ter para ser “O Melhor”?

Não basta ser caro; ele precisa ter ingredientes que simulem a gordura natural da pele. Procure por estes nomes no rótulo:

Já usei vários hidratantes caros e nada resolveu a minha dermatite!

Costumamos iniciar o tratamento através de medidas simples e seguras que incluem o uso de hidratantes e tratamentos tópicos, mas, quando o quadro é mais intenso ou não melhora apenas com cremes e tratamentos locais, avançamos de forma gradual no terapêutica. Na verdade, utilizamos um “protocolo de tratamento” escalonado (ver abaixo).

Nessas situações em que o tratamento tópico não funciona, lançamos mão de medicações sistêmicos, fototerapia ou até medicamentos injetáveis (biológicos), que costumam trazer bons resultados nos casos moderados a graves.

4. O Protocolo do Tratamento: Uma Estratégia Completa

O tratamento da dermatite atópica não se resume a um único medicamento. Ele é uma abordagem completa, baseada em quatro pilares fundamentais que funcionam em conjunto para manter a pele saudável e controlar as crises. Pense neles como os quatro pés de uma mesa: todos precisam estar firmes para que a mesa fique estável.

  1. Cuidados Diários e Hidratação: É a base de tudo, a primeira e mais importante linha de tratamento. Consiste em restaurar e proteger a barreira da pele todos os dias.
  2. Controle da Inflamação: Focado em tratar as crises agudas, quando as lesões estão ativas, vermelhas e com coceira intensa, usando medicamentos anti-inflamatórios.
  3. Gerenciamento da Coceira: Estratégias para quebrar o ciclo vicioso de coceira e lesão, que é um dos maiores desafios da doença.
  4. Educação e Controle de Gatilhos: Aprender sobre a doença e identificar os fatores individuais que pioram as crises para poder evitá-los.

Além disso, seguimos sempre um Protocolo de Tratamento para a Dermatite Atópica

O protocolo de tratamento foca em restaurar a barreira da pele e reduzir a inflamação de forma personalizada. A base de tudo é a hidratação intensa e banhos mornos e rápidos, seguidos pelo uso de pomadas anti-inflamatórias apenas nas áreas afetadas. Para casos moderados a graves, o médico pode indicar fototerapia, imunossupressores ou medicamentos modernos, como os biológicos, que agem direto na causa da coceira. O objetivo é manter a doença em remissão, evitando o uso excessivo de corticoides e as crises frequentes.

5. Hidratação e Cuidados Diários

A hidratação não é um luxo; é a primeira linha de tratamento para todas as formas de dermatite atópica. O uso contínuo de cremes emolientes (hidratantes) é a medida mais importante para restaurar a barreira cutânea defeituosa, reduzir a secura, aliviar a coceira e diminuir o número de crises. Esse cuidado deve ser mantido todos os dias, mesmo quando a pele parece estar boa.

O momento após o banho é uma oportunidade de ouro para a hidratação, mas precisa ser feito da maneira correta.

Dicas Práticas para o Banho

  1. Duração: O banho deve ser rápido, entre 5 e 10 minutos. Banhos longos removem a oleosidade natural da pele.
  2. Temperatura da Água: Use água morna, com temperatura entre 27-30°C. A água quente resseca ainda mais a pele.
  3. Tipo de Sabonete: Opte por sabonetes líquidos com pH fisiológico em relação ao da pele (ácidos) ou “syndets” (sabonetes sintéticos sem detergente). Use em pequena quantidade e apenas nas áreas necessárias. Evite aplicar o sabonete nas áreas que coçam.
  4. Como Secar a Pele: Use uma toalha macia e seque a pele com leves batidinhas, sem esfregar.
O banho quente é um dos principais vilões da dermatite atópica porque a alta temperatura da água remove a barreira de gordura natural que protege a pele. Esse processo agrava o ressecamento, desencadeia crises de coceira intensa e facilita a entrada de alérgenos e bactérias. Para controlar a inflamação, o ideal é optar por banhos mornos, rápidos e com sabonetes neutros. Manter essa rotina preserva a hidratação cutânea e reduz significativamente a necessidade de medicamentos tópicos.
O banho quente é um dos principais vilões da dermatite atópica porque a alta temperatura da água remove a barreira de gordura natural que protege a pele. Esse processo agrava o ressecamento, desencadeia crises de coceira intensa e facilita a entrada de alérgenos e bactérias. Para controlar a inflamação, o ideal é optar por banhos mornos, rápidos e com sabonetes neutros. Manter essa rotina preserva a hidratação cutânea e reduz significativamente a necessidade de medicamentos tópicos.

O passo mais importante vem logo após o banho: aplique uma camada generosa de hidratante em todo o corpo nos primeiros 3 minutos após o banho, com a pele ainda levemente úmida. Isso ajuda a “selar” a água na pele, combatendo a perda de água transepidérmica e ajudando a reconstruir aquele “cimento falho” na barreira da sua pele que discutimos anteriormente.

Ao escolher um hidratante, prefira produtos desenvolvidos para pele atópica, que sejam sem fragrâncias, conservantes ou outras substâncias potencialmente sensibilizantes. O seu médico pode ajudar a escolher a melhor opção para você.

Mas o que fazer quando, mesmo com todos esses cuidados, as crises de inflamação aparecem? É aí que entra o segundo pilar do tratamento.

6. Controlando a Inflamação nas Crises

Durante as crises (ou flares), quando a pele fica vermelha, inflamada e com muita coceira, a hidratação sozinha não é suficiente. Nesses momentos, precisamos de medicamentos de uso tópico (aplicados na pele) para acalmar a inflamação e controlar os sintomas.

6.1. Corticosteroides Tópicos (“Pomadas de Corticóide”). Eles são seguros?

Os corticosteroides tópicos são a primeira linha de tratamento para controlar as crises de dermatite atópica. Eles são agentes anti-inflamatórios muito eficazes que reduzem a vermelhidão, o inchaço e a coceira, permitindo que a pele comece a se recuperar.

É completamente compreensível ter receio ao ouvir a palavra “corticóide”. Muitos pais se preocupam com os efeitos colaterais, e essa preocupação, conhecida como “esteroide fobia”, é legítima e muito comum — estudos mostram que 80,7% dos pais ou pacientes apresentam esse medo. No entanto, é crucial entender que, quando usados sob orientação médica, os corticosteroides são seguros e essenciais para o controle da doença. Efeitos colaterais, como o afinamento da pele (atrofia cutânea), ocorrem principalmente com o uso inadequado, prolongado e sem supervisão de produtos de alta potência em áreas sensíveis.

Regras de Ouro para o Uso Seguro de Corticosteroides

Tratamento Pro-ativo:

Para pacientes com crises frequentes, o médico pode indicar a terapia proativa, que consiste em aplicar o corticosteroide em baixa frequência (geralmente 2 vezes por semana) nas áreas onde as lesões costumam aparecer, mesmo quando a pele está boa. Isso ajuda a prevenir novas crises.

6.2. Inibidores da Calcineurina Tópicos

Os inibidores da calcineurina são uma alternativa aos corticosteroides e representam a “segunda linha” de tratamento para as crises. Embora sejam considerados “segunda linha” no tratamento geral, eles são frequentemente a primeira escolha para áreas sensíveis, como pálpebras, rosto, pescoço, genitais e dobras, pois não causam o afinamento da pele ou outros efeitos colaterais dos corticóides tópicos. Eles também agem reduzindo a inflamação, mas por um mecanismo diferente.

VantagensPontos de Atenção
✅ Não causam afinamento da pele (atrofia), sendo seguros para uso a longo prazo.⚠️ Podem causar uma sensação de ardor ou queimação no local da aplicação, especialmente nos primeiros dias de uso.
✅ São ideais para áreas sensíveis como o rosto, pálpebras, pescoço, genitais e dobras.⚠️ Pode causar rubor facial em adultos que usam bebidas alcoólicas.

Esses medicamentos são uma excelente ferramenta, especialmente para a manutenção do controle em áreas delicadas. Agora, vamos abordar o sintoma que mais tira o sono dos pacientes: a coceira.

O Dr. Rafael Moraes é Membro Titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia, possui Residência Médica pelo Hospital das Clínicas da UFMG e Título de especialista em Dermatologia pela SBD, além de mais de 15 anos de experiência e 60 mil pacientes atendidos. Possui larga experiência no manejo e tratamento de pacientes portadores de dermatite atópica dos diversos graus de gravidade.
O Dr. Rafael Moraes é Membro Titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia, possui Residência Médica pelo Hospital das Clínicas da UFMG e Título de especialista em Dermatologia pela SBD, além de mais de 15 anos de experiência e 60 mil pacientes atendidos. Possui larga experiência no manejo e tratamento de pacientes portadores de dermatite atópica dos diversos graus de gravidade.

7. Aliviando a Coceira da dermatite atópica

A coceira na dermatite atópica não é apenas um incômodo; ela é parte central da doença e cria um ciclo vicioso coceira-lesão:

  1. A pele inflamada coça.
  2. Você coça a pele.
  3. O ato de coçar danifica ainda mais a barreira cutânea.
  4. A barreira danificada permite a entrada de mais irritantes, piorando a inflamação.
  5. A inflamação piora e gera mais coceira.

É importante entender que, na DA, a coceira muitas vezes não é mediada por histamina, a substância que causa a coceira em reações alérgicas comuns. Por isso, os anti-histamínicos orais (antialérgicos comuns) geralmente têm pouco efeito direto para aliviar a coceira da DA. Os de primeira geração, que causam sonolência (como a hidroxizina ou a clorfeniramina), podem ser indicados pelo médico para uso noturno, não para tratar a coceira em si, mas para ajudar o paciente a dormir melhor.

Estratégias para Reduzir a Vontade de Coçar

Manter as unhas curtas, aparadas e limpas é uma medida terapêutica essencial e, muitas vezes, subestimada no manejo da Dermatite Atópica (DA).

A pele do paciente com DA possui um desequilíbrio na microbiota, sendo frequentemente colonizada pela bactéria Staphylococcus aureus. As unhas funcionam como o principal reservatório para esse microrganismo que é o principal deflagrador de crises de dermatite.

Unhas compridas ou irregulares agem como verdadeiras “lâminas”. O ato de coçar (muitas vezes involuntário ou durante o sono) causa escoriações que rompem a barreira cutânea, gerando mais dor e facilitando a entrada de outros alérgenos. Manter as unhas impecáveis quebra o ciclo “coceira-ferimento-infecção”, protegendo a integridade da pele.

Estratégia da compressa úmida (Wet wrap)

Quebrar esse ciclo é fundamental, e isso também envolve aprender a identificar e evitar o que pode estar provocando as crises em primeiro lugar.

8. Identificando e Evitando Gatilhos da dermatite atópica

Entender o que piora a sua pele é um passo fundamental para assumir o controle da dermatite atópica e manter a doença sob controle por mais tempo. Esses “gatilhos” variam de pessoa para pessoa, mas existem alguns culpados comuns.

8.1. Irritantes Comuns

São substâncias e fatores que irritam diretamente a pele sensível e com barreira deficiente.

8.2. Alérgenos

Em alguns pacientes, a exposição a alérgenos específicos pode desencadear ou piorar as crises de eczema.

Para os casos em que a doença é mais intensa e não responde bem a esses quatro pilares, existem tratamentos mais avançados.

9. Tratamentos Avançados para Casos Moderados e Graves

Quando a dermatite atópica é mais extensa, intensa e não melhora adequadamente com os cuidados diários e tratamentos tópicos, o dermatologista pode indicar medicamentos de uso sistêmico. Eles agem “de dentro para fora” para controlar a inflamação em todo o corpo.

9.1. Fototerapia (O tratamento que usa a luz para desinflamar)

A fototerapia é um tratamento médico que utiliza a exposição controlada à radiação ultravioleta (UV) para reduzir a inflamação na pele. Na Dermatite Atópica, ela é indicada principalmente para casos moderados a graves ou quando os cremes hidratantes e corticoides tópicos não trazem o alívio esperado.

O procedimento funciona através da emissão de ondas de luz específicas, sendo a UVB de banda estreita (Narrow Band) a mais comum e segura hoje em dia. Essa radiação penetra na epiderme e exerce um efeito imunomodulador, ou seja, ela “acalma” as células de defesa que estão atacando a própria pele, diminuindo drasticamente a coceira e o ciclo de vermelhidão.

As sessões costumam ser rápidas, durando de poucos segundos a alguns minutos, realizadas dentro de cabines com lâmpadas especiais ou com dispositivos manuais para áreas localizadas. O paciente geralmente frequenta a clínica de 2 a 3 vezes por semana, e os resultados começam a aparecer após algumas semanas de exposição gradual, permitindo que a pele cicatrize e recupere sua barreira natural.

Embora seja muito eficaz e reduza a necessidade de medicamentos orais fortes, o tratamento exige supervisão médica rigorosa. Os efeitos colaterais comuns são semelhantes a uma leve queimadura solar ou ressecamento, por isso a hidratação intensa pós-sessão é obrigatória. Além disso, o uso de proteção ocular é indispensável durante o procedimento para garantir a segurança do paciente.

9.2. Imunossupressores Sistêmicos

Esses medicamentos têm a função de acalmar a resposta exagerada do sistema imunológico que causa a inflamação na pele.

9.3. Novas Terapias: Imunobiológicos e Inibidores de JAK

Nos últimos anos, surgiram medicamentos mais modernos e precisos, que agem em alvos específicos do processo inflamatório da dermatite atópica. Eles são verdadeiros exemplos de como a ciência pode conectar o problema (a resposta imune exagerada) com a solução (bloqueio de vias específicas). Alguns deles já estão disponíveis no SUS para casos específicos.

E o corticóide oral? posso usar?

O corticoide sistêmico (comprimidos ou injeções) traz um alívio quase “mágico” e imediato. No entanto, para a dermatite atópica, ele é considerado uma armadilha pelos dermatologistas.

Aqui estão os principais motivos para evitá-lo:

1. O Efeito Rebote (O principal perigo)

Este é o maior problema. Quando você interrompe o corticoide sistêmico, a inflamação costuma voltar muito mais agressiva do que estava antes. É o que chamamos de crise de rebote. Muitas vezes, a pele piora a ponto de o paciente precisar de internação, pois a inflamação se espalha pelo corpo todo de uma vez.

2. A “Falsa Cura”

O corticoide oral não trata a causa da dermatite; ele apenas “apaga o incêndio” de forma temporária. Como a dermatite atópica é uma condição crônica, o uso acaba sendo recorrente. Isso cria um ciclo de dependência onde o paciente não consegue mais ficar sem o remédio, mas o corpo vai precisando de doses cada vez maiores para o mesmo efeito.

3. Efeitos Colaterais Graves (Uso a longo prazo)

Diferente dos novos medicamentos (como os imunobiológicos), o corticoide sistêmico ataca o corpo de forma generalizada. O uso frequente pode causar:

4. Atrofia da Pele

Mesmo sendo tomado via oral, ele afeta a produção de colágeno. A pele de quem usa muito corticoide fica fina, frágil e com estrias, o que é péssimo para quem já tem uma barreira cutânea comprometida pela dermatite.

10. Lidando com Infecções de Pele

A barreira cutânea danificada e as pequenas feridas causadas pelo ato de coçar tornam a pele de quem tem DA um alvo fácil para a invasão de micro-organismos. Por isso, pacientes com a condição são mais suscetíveis a infecções de pele.

Tipo de InfecçãoComo Reconhecer e O Que Fazer
Bacteriana (Principalmente por Staphylococcus aureus)Sinais: A lesão de eczema piora, fica mais “úmida” e surgem crostas amareladas, com aspecto de “cor de mel”, ou pontos de pus. O que fazer: É fundamental procurar o médico. O tratamento requer o uso de antibióticos (tópicos ou orais) prescritos por ele para controlar a infecção.
Viral (Eczema Herpético)Sinais: É uma complicação grave e urgente. Caracteriza-se pelo aparecimento súbito de pequenas bolhas dolorosas, todas do mesmo tamanho, que se espalham rapidamente sobre as áreas de eczema. Pode haver febre e mal-estar. O que fazer: Procure atendimento médico imediato. O tratamento precisa ser iniciado rapidamente com medicamentos antivirais para evitar complicações sérias.

Reconhecer esses sinais precocemente é crucial para um tratamento rápido e eficaz.

É muito comum que pacientes com dermatite atópica (DA) também apresentem urticária. Neste artigo eu explico os detalhes da Urticária.

11. Vivendo Bem com a Dermatite Atópica: A Importância da Educação e Adesão

Entender a sua doença é o primeiro e mais importante passo para assumir o controle dela. A DA é mais do que uma doença de pele; ela pode impactar profundamente a qualidade de vida, afetando o sono, o desempenho escolar ou profissional e o bem-estar emocional devido à coceira constante e à aparência das lesões.

Lembre-se sempre dos passos para o sucesso no tratamento, que se resumem aos quatro pilares que discutimos:

A jornada com a dermatite atópica é uma maratona, não uma corrida de 100 metros. Lembre-se sempre desta mensagem: a consistência no cuidado diário é mais poderosa do que qualquer crise isolada. Com o conhecimento deste guia, o tratamento correto e uma boa dose de paciência, é totalmente possível controlar a condição e ter uma excelente qualidade de vida.

O Dr. Rafael Moraes é Membro Titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia, possui Residência Médica pelo Hospital das Clínicas da UFMG e Título de especialista em Dermatologia pela SBD, além de mais de 15 anos de experiência e 60 mil pacientes atendidos. Possui larga experiência no manejo e tratamento de pacientes portadores de dermatite atópica dos diversos graus de gravidade.
O Dr. Rafael Moraes é Membro Titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia, possui Residência Médica pelo Hospital das Clínicas da UFMG e Título de especialista em Dermatologia pela SBD, além de mais de 15 anos de experiência e 60 mil pacientes atendidos. Possui larga experiência no manejo e tratamento de pacientes portadores de dermatite atópica dos diversos graus de gravidade.

Uma resposta

  1. Encontrei informações preciosas. Estou pesquisando c dermatologistas se o q tenho é uma DA. Digicil diagnóstico. Gostei drmsis do doutor. Vou voltar aqui e reler mtas vezes. Obg

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *