Este guia completo foi elaborado para oferecer informações precisas e atualizadas sobre o Hemangioma da Infância (HI), o tumor benigno mais comum nos primeiros meses de vida. Com uma abordagem educativa e técnica, este texto é ideal para pais, cuidadores e profissionais que buscam entender o comportamento dessas lesões e as melhores opções de tratamento.

1. O que é o Hemangioma da Infância?

O hemangioma da infância é um tumor vascular benigno caracterizado pela proliferação anormal de células endoteliais (as células que revestem os vasos sanguíneos). Diferente de outras marcas de nascimento, o hemangioma raramente está totalmente presente ao nascer; ele costuma surgir nas primeiras semanas de vida.

O hemangioma infantil é o tumor benigno mais comum da infância, afetando cerca de 4% a 5% dos bebês. É mais frequente em meninas, prematuros e em casos de gestações múltiplas. Sua incidência tem sido relatada como crescente em alguns estudos.
O hemangioma infantil é o tumor benigno mais comum da infância, afetando cerca de 4% a 5% dos bebês. É mais frequente em meninas, prematuros e em casos de gestações múltiplas. Sua incidência tem sido relatada como crescente em alguns estudos.

2. Epidemiologia (em quem é mais comum) e a proteína que o diferencia.

Incidência: Afeta cerca de 4% a 5% dos lactentes.

Predileção: É mais comum em meninas, bebês prematuros e de baixo peso, além de gestações múltiplas.

Marcador Biológico: O diferencial definitivo do HI é a expressão da proteína GLUT-1, que ajuda a diferenciá-lo de outras anomalias vasculares em casos de dúvida diagnóstica.

O Dr. Rafael Moraes é Membro Titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia, possui Residência Médica pelo Hospital das Clínicas da UFMG e Título de especialista em Dermatologia pela SBD, além de mais de 15 anos de experiência e 60 mil pacientes atendidos. Possui larga experiência no manejo e tratamento de pacientes com hemangioma.

3. Ciclo de Evolução, Prognóstico e Manifestações.

Diferente de uma malformação vascular, que geralmente está presente ao nascimento e cresce proporcionalmente ao corpo da criança, o hemangioma possui um ciclo de vida muito específico dividido em fases:

1. Lesão precursora do Hemangioma

Nem todo hemangioma infantil nasce como uma mancha vermelha brilhante e saliente. Na verdade, em cerca de 30% a 50% dos casos, existe uma lesão precursora que está presente logo ao nascimento ou surge nos primeiros dias de vida, antes da fase de crescimento acelerado. Essas lesões precursoras podem ser sutis e muitas vezes são confundidas com hematomas ou arranhões. As apresentações mais comuns incluem:

a. Mancha Telangiectásica

É a forma mais frequente. Caracteriza-se por uma mancha rosada ou avermelhada, composta por pequenos vasos sanguíneos visíveis (telangiectasias), muitas vezes circundada por um halo pálido (anêmico). Esse halo ocorre devido à “roubo” de fluxo sanguíneo ou vasoconstrição ao redor da lesão em formação.

b. Mancha Esbranquiçada ou Pálida

Pode aparecer como uma área de pele mais clara que o normal, assemelhando-se a uma cicatriz ou a uma área onde o sangue não está circulando bem. É um sinal de que a proliferação vascular está começando nas camadas mais profundas.

c. Mancha Pseudo-equimótica

Assemelha-se a um “roxo” ou hematoma que não desaparece. Tem uma coloração azulada ou purpúrea suave. Diferente de um hematoma comum, ela não muda de cor (de roxo para verde/amarelo) com o passar dos dias, evoluindo progressivamente para o hemangioma típico.

2. Fase Proliferativa (Crescimento Rápido)

Ocorre geralmente entre as primeiras semanas e até os 12 meses de vida. É o período em que a lesão cresce de forma acelerada, ganhando volume e cor. Cerca de 80% do tamanho final é atingido por volta dos 3 a 5 meses.

3. Fase de Estabilização (Platô)

A lesão para de crescer e mantém seu tamanho estável por alguns meses.

4. Fase de Involução (Regressão)

A fase mais longa. A cor vermelha viva começa a dar lugar a tons acinzentados ou pálidos, e a lesão amolece.

30% involuem até os 3 anos;
50% até os 5 anos;
90% até os 9 anos.

Prognóstico: Na maioria dos casos, o hemangioma desaparece sem deixar marcas significativas. No entanto, em lesões muito volumosas ou ulceradas, podem restar telangiectasias (vasinhos), tecido fibroadiposo residual ou pele redundante.

Sou adulto e meu hemangioma não sumiu! 

Provavelmente, apesar do que muitos médicos já te falaram, você não tem o hemangioma clássico (hemangioma da infância). Uma avaliação é necessária nesses casos.

o Hemangioma da Infância (HI) tem um relógio biológico programado para parar. Ele é composto por células que se multiplicam freneticamente no início da vida, mas que têm um “prazo de validade”. Por isso, na maioria dos casos, ele desaparece ou deixa apenas um resquício de pele até os 9 anos de idade.

Se você é um adulto e a sua lesão ainda está presente, existem duas possibilidades principais:

1. Não é um Hemangioma, é uma Malformação Vascular

Diferente do hemangioma, a malformação vascular não é um tumor, mas sim um erro na formação dos vasos (veias, artérias ou vasos linfáticos) durante a gestação.

2. É um Hemangioma de outro tipo (Mais Raros)

Existem hemangiomas que não seguem a regra da involução. São os chamados:

A denominação "hemangioma em morango" (do inglês strawberry hemangioma) é um dos termos mais clássicos da dermatologia para descrever a morfologia do hemangioma da infância superficial.

Embora o termo técnico atual seja "Hemangioma da Infância Superficial", a analogia com a fruta permanece extremamente útil para médicos e pais devido à semelhança visual característica.
A denominação “hemangioma em morango” (do inglês strawberry hemangioma) é um dos termos mais clássicos da dermatologia para descrever a morfologia do hemangioma da infância superficial.
Embora o termo técnico atual seja “Hemangioma da Infância Superficial”, a analogia com a fruta permanece extremamente útil para médicos e pais devido à semelhança visual característica.
O hemangioma típico apresenta-se como uma placa ou nódulo vermelho-vivo, de superfície lobulada e firme, com bordas bem delimitadas sobre a pele sadia. Nas formas profundas, manifesta-se como um abaulamento azulado ou cor da pele, sendo caracteristicamente indolor e sem sinais inflamatórios de pus ou calor. Sua evolução é marcada por uma fase de crescimento acelerado nos primeiros meses, seguida por uma involução lenta que deixa a lesão opaca e murcha.
O hemangioma típico apresenta-se como uma placa ou nódulo vermelho-vivo, de superfície lobulada e firme, com bordas bem delimitadas sobre a pele sadia. Nas formas profundas, manifesta-se como um abaulamento azulado ou cor da pele, sendo caracteristicamente indolor e sem sinais inflamatórios de pus ou calor. Sua evolução é marcada por uma fase de crescimento acelerado nos primeiros meses, seguida por uma involução lenta que deixa a lesão opaca e murcha.

O Hemangioma do meu bebê dói?

É uma dúvida muito comum e compreensível, mas a resposta curta é tranquilizadora: o hemangioma infantil comum (não complicado) é indolor.

Embora a aparência de “morango” ou a cor vermelho-vivo possam dar a impressão de ser uma ferida sensível ou inflamada, o bebê não sente dor ao toque, durante o banho ou nas atividades do dia a dia.

Aqui estão os pontos principais sobre a sensibilidade dessas lesões:

1. Ausência de terminações nervosas de dor

O hemangioma é uma proliferação de vasos sanguíneos, não de nervos. Por isso, a massa em si não dói. Se você pressionar gentilmente a área, o bebê não apresentará desconforto por causa do hemangioma, a menos que a pressão incomode como em qualquer outra parte do corpo.

2. Quando ele pode causar dor?

A dor só aparece se houver alguma complicação. Os sinais de que algo mudou e pode estar doendo são:

3. Conforto do bebê

Na grande maioria dos casos, o bebê sequer percebe que tem o hemangioma. Ele brinca, dorme e se desenvolve normalmente. O desconforto costuma ser maior para os pais, devido à aparência estética, do que para a criança.

Em quais locais o hemangioma aparece?

Os hemangiomas infantis podem aparecer em qualquer parte do corpo, mas existe uma predominância clara em certas regiões. Aproximadamente 60% dos casos ocorrem na região da cabeça e do pescoço. Abaixo, listo as localizações divididas por frequência e importância clínica:

1. Localizações Mais Frequentes (Pele)

2. Áreas de “Alerta” (Risco de Complicações)

Algumas localizações, mesmo sendo comuns, exigem atenção imediata devido ao risco de comprometer funções vitais ou causar dor:

3. Localizações Internas (Viscerais)

Embora menos comuns que os cutâneos, os hemangiomas também podem surgir em órgãos internos, sendo o fígado o local mais frequente. Quando uma criança apresenta muitos hemangiomas na pele (geralmente mais de 5), os médicos costumam solicitar um ultrassom abdominal para descartar lesões hepáticas.

O Hemangioma pode deixar cicatrizes?

Sim, o hemangioma da infância pode deixar cicatrizes ou marcas residuais, embora muitos regridam sem deixar vestígios significativos.

A chance de sobrar alguma marca depende de fatores como o tamanho da lesão, a profundidade e, principalmente, se houve complicações durante a fase de crescimento.

Aqui estão as formas mais comuns de “cicatrizes” ou sequelas que podem surgir:

1. Tecido Fibroadiposo Residual

É a sequela mais comum em hemangiomas volumosos. Mesmo após a cor vermelha desaparecer, pode sobrar um acúmulo de gordura e tecido fibroso no local, deixando a pele com um aspecto “murcho” ou uma pequena saliência macia.

2. Cicatrizes por Ulceração

Se o hemangioma sofrer uma ulceração (formar uma ferida ou “buraco”) durante a fase de crescimento, a chance de cicatriz permanente é de quase 97%. Essas feridas destroem as camadas da pele, resultando em cicatrizes atróficas (fundas) ou alterações na textura.

3. Telangiectasias (Vasinhos)

Muitas vezes, a massa do hemangioma desaparece, mas restam pequenos vasos sanguíneos ramificados na superfície da pele, mantendo uma coloração levemente rosada ou avermelhada no local.

4. Alterações na Pele (Anetodermia)

A pele que foi esticada pelo crescimento rápido do tumor pode perder sua elasticidade natural, tornando-se:

Como minimizar o risco de cicatrizes?

A melhor forma de evitar sequelas permanentes é o tratamento precoce.

3. Diagnóstico Diferencial: com quais condições o Hemangioma se parece?

Hemangioma vs. Malformações Vasculares

É muito comum confundir hemangiomas com malformações vasculares, mas a distinção é vital para o tratamento correto.

CaracterísticaHemangioma da InfânciaMalformação Vascular
Presença ao nascerRaramente presente (surge após 2 semanas)Presente ao nascer (embora possa ser discreta)
EvoluçãoProlifera rápido e depois involuiCresce proporcionalmente à criança; nunca regride
ConsistênciaFirme na fase de crescimentoGeralmente macia ou pulsátil (se arterial)
InvoluçãoEspontânea em 90% dos casosNão regride; pode piorar com o te

Outros Tumores Vasculares

Diferente do Hemangioma da Infância (GLUT-1 positivo), estes tumores possuem características clínicas e biológicas únicas.

Hemangioma Congênito (HC)

Diferente do HI comum, este já nasce totalmente formado. Não apresenta a fase de crescimento pós-natal. Divide-se em dois tipos principais:

Hemangioendotelioma Kaposiforme (HEK)

Este é um tumor mais agressivo e raro.

Angioma em Tufos

Muitas vezes considerado parte do mesmo espectro do HEK, mas de evolução mais lenta.

Granuloma Piogênico

Muito comum em crianças maiores, mas pode ocorrer em bebês.

O Problema: Sangra abundantemente ao menor toque. Diferente do hemangioma, o tratamento costuma ser a remoção cirúrgica ou cauterização, pois não regride sozinho.

Características: É um pequeno nódulo vermelho “vivo” que surge após um pequeno trauma.

Lesões mais raras que fazem diagnóstico diferencial:

Mastocitoma ou xantogranuloma juvenil. Atenção especial ao Fibrossarcoma Infantil Congênito, um tumor esférico em extremidades que sangra facilmente e é o sarcoma de partes moles mais comum no primeiro ano de vida.

4. Condições e Síndromes Associadas

Embora a maioria dos hemangiomas seja focal (uma única “bolinha”), hemangiomas segmentares (que cobrem uma área maior do corpo) exigem investigação detalhada para síndromes:

Síndrome PHACE

Associada a hemangiomas grandes na face. Pode envolver anomalias no cérebro (fossa posterior), artérias, coração (coarctação da aorta) e olhos.

Síndrome LUMBAR

Associada a hemangiomas na região lombar e sacral. Pode indicar malformações na medula espinhal, sistema urinário ou anomalias anorretais.

Hemangiomatose Neonatal

Quando a criança apresenta mais de 5 hemangiomas cutâneos pequenos, há risco de hemangiomas internos, principalmente no fígado. Nestes casos, um ultrassom abdominal é obrigatório.

6. Opções de Tratamento

Classicamente, nem todo hemangioma precisa de tratamento, pois a maioria regride sozinha. As indicações habituais para tratamento são quando há risco de:

Mudança no Paradigma de Tratamento: Com o avançar do conhecimento e das novas possibilidades de tratamento, cada vez mais eficazes e seguras, a tendência atual na dermatologia pediátrica é tratar precocemente a maioria dos hemangiomas logo após o diagnóstico. O objetivo é aproveitar a “janela de oportunidade” na fase de crescimento para evitar deformidades, ulcerações e garantir uma involução mais rápida e esteticamente favorável.

Tratamentos Atuais

Betabloqueadores Orais: São o “padrão-ouro” desde 2008. Atua contraindo os vasos e inibindo o crescimento. Deve ser iniciado preferencialmente na fase proliferativa precoce.

Laser (Dye Laser): Excelente para tratar os vasos residuais (telangiectasias) após a fase de involução.

Cirurgia: Reservada para sequelas ou casos onde o tratamento medicamentoso falhou e a lesão compromete funções vitais.

O Dr. Rafael Moraes é Membro Titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia, possui Residência Médica pelo Hospital das Clínicas da UFMG e Título de especialista em Dermatologia pela SBD, além de mais de 15 anos de experiência e 60 mil pacientes atendidos. Possui larga experiência no manejo e tratamento de pacientes com hemangioma.

Propranolol: o tratamento de primeira linha

Abaixo, detalho a eficácia, o mecanismo e as principais informações sobre esse tratamento:

1. Índices de Eficácia

Estudos clínicos e meta-análises mostram resultados extremamente positivos:

2. Como ele funciona?

Embora o mecanismo exato ainda seja objeto de estudo, acredita-se que o propranolol atue de três formas principais:

  1. Vasoconstrição: Reduz o fluxo sanguíneo para o hemangioma, causando o clareamento imediato.
  2. Inibição de fatores de crescimento: Diminui a produção de proteínas (como VEGF e bFGF) que estimulam o crescimento dos vasos sanguíneos.
  3. Apoptose: Induz a morte programada das células que compõem o tumor vascular.

3. Ele é seguro?

Sim, desde que acompanhado por um médico. O Propranolol é usado há décadas na pediatria para problemas cardíacos. Para o hemangioma, a dose é controlada e exige monitorização.

4. Fatores que influenciam o resultado

5. Monitoramento

Apesar de eficaz, o propranolol é um medicamento sistêmico (betabloqueador) e exige acompanhamento médico para monitorar:

5. Outros detalhes do Propranolol:

Protocolo de Segurança com Propranolol A administração deve ocorrer de 12/12 horas ou 3x/dia. após as refeições (evitando a última do dia) para prevenir hipoglicemia, iniciando com metade da dose na primeira semana. O tratamento deve ser interrompido temporariamente se a criança apresentar vômitos, diarreia ou sintomas respiratórios como “chiadeira” no peito. O medicamento pode ser manipulado sob a forma de solução oral ou administrado após a maceração de comprimidos.

Cuidados Cardiológicos e Desmame Antes de iniciar o propranolol, é obrigatória a avaliação cardiológica com eletrocardiograma, especialmente pelo risco de complicações em crianças com Síndrome PHACE. O uso dura, em média, 6 meses; a interrupção deve ser lenta e gradual para evitar o efeito rebote (crescimento da lesão após a suspensão) e não deve ser feita antes de 1 ano de idade.

Efeitos Adversos Comuns Cerca de 10% das crianças em tratamento com betabloqueadores podem apresentar efeitos colaterais como distúrbios do sono (pesadelos), tosse, vômitos ou broncoespasmo. O monitoramento médico contínuo é essencial para ajustar a dose de acordo com o ganho ponderal do paciente e garantir que os benefícios sejam alcançados.


Importante: Este tratamento deve ser prescrito e acompanhado obrigatoriamente por um especialista (pediatra, dermatologista pediátrico ou cardiologista infantil). Jamais administre medicamentos por conta própria.

Sob o uso do propranolol, a regressão do hemangioma inicia-se com uma rápida mudança de cor, perdendo o vermelho brilhante para tons arroxeados ou pálidos devido à vasoconstrição imediata. A lesão torna-se notavelmente mais macia e menos tensa ao toque logo nos primeiros dias, interrompendo precocemente sua fase de crescimento. Com a continuidade do tratamento, ocorre o "murchamento" da superfície, que ganha um aspecto enrugado enquanto o volume regride de forma acelerada. Ao final, o medicamento induz a substituição do tecido vascular por tecido fibroso, minimizando sequelas e acelerando uma involução que levaria anos para ocorrer naturalmente.
Sob o uso do propranolol, a regressão do hemangioma inicia-se com uma rápida mudança de cor, perdendo o vermelho brilhante para tons arroxeados ou pálidos devido à vasoconstrição imediata. A lesão torna-se notavelmente mais macia e menos tensa ao toque logo nos primeiros dias, interrompendo precocemente sua fase de crescimento. Com a continuidade do tratamento, ocorre o “murchamento” da superfície, que ganha um aspecto enrugado enquanto o volume regride de forma acelerada. Ao final, o medicamento induz a substituição do tecido vascular por tecido fibroso, minimizando sequelas e acelerando uma involução que levaria anos para ocorrer naturalmente.

Atenolol: uma nova opção

Embora o propranolol seja o tratamento de escolha (padrão-ouro), a medicina avançou para oferecer alternativas eficazes, especialmente para minimizar efeitos colaterais ou tratar lesões menores.

O Uso do Atenolol (Via Oral)

O atenolol tem ganhado destaque como uma alternativa segura ao propranolol em casos específicos.

Timolol: uma opção de tratamento tópico para lesões superficiais

O maleato de timolol (geralmente na formulação de colírio 0,5% em gel) é a solução ideal para hemangiomas superficiais e pequenos.

Limitação: Não é eficaz para hemangiomas profundos ou volumosos, pois o medicamento não consegue penetrar em camadas mais baixas da pele em concentração suficiente.

Aplicação Local: Deve ser aplicado diretamente sobre a lesão (geralmente 2 a 3 vezes ao dia). A absorção sistêmica é mínima, o que o torna extremamente seguro.

Indicação: É excelente para lesões em fase inicial ou para “limpar” o vermelho residual de hemangiomas que já estão involuindo.

Resumo comparativo dos tratamentos com B-Bloqueadores

MedicamentoViaIndicação PrincipalPrincipal Vantagem
PropranololOralCasos graves, extensos ou de riscoMaior base de evidência científica.
AtenololOralCasos com risco respiratórioDose única diária e menos efeitos colaterais.
TimololTópicaLesões pequenas e muito superficiaisPraticidade e ausência de efeitos sistêmicos.

Tratamentos antigos e em desuso

Historicamente, antes da descoberta acidental da eficácia dos betabloqueadores em 2008, os corticosteroides eram a primeira linha de tratamento para hemangiomas complicados. Embora hoje sejam pouco utilizados, eles desempenharam um papel fundamental na dermatologia pediátrica por décadas.

Aqui está uma breve explicação sobre esse uso:

Como eles funcionavam

Os corticoides (como a prednisolona ou dexametasona) eram administrados em doses elevadas para interromper a fase de crescimento do tumor. Eles agiam inibindo a angiogênese (formação de novos vasos) e estimulando a vasoconstrição, o que ajudava a estabilizar lesões que ameaçavam a visão ou as vias aéreas.

Formas de Administração

Por que entraram em desuso?

A principal razão foi o perfil de segurança. O uso prolongado de corticoides em lactentes causava efeitos adversos significativos, como:

Aviso importante (Disclaimer)

De acordo com as políticas atuais do Google para conteúdos de saúde, não é mais permitido citar, recomendar ou detalhar o uso de medicamentos controlados em textos médicos de caráter educativo publicados na internet. Por esse motivo, os conteúdos apresentados utilizam linguagem informativa geral, sem menção a nomes comerciais ou princípios ativos de uso restrito.

As informações aqui descritas têm finalidade exclusivamente educativa e não substituem a consulta médica. Toda conduta, diagnóstico ou tratamento deve ser avaliado, indicado e acompanhado por um médico, considerando as características individuais de cada paciente.

Nenhuma decisão terapêutica deve ser tomada com base apenas neste conteúdo.

O tratamento com propranolol (um betabloqueador) revolucionou a terapia dos hemangiomas, pois ele acelera drasticamente as fases de estabilização e involução.
O tratamento com propranolol (um betabloqueador) revolucionou a terapia dos hemangiomas, pois ele acelera drasticamente as fases de estabilização e involução.

Conclusão e Próximos Passos

O Hemangioma da Infância é uma condição benigna, mas que exige vigilância atenta, especialmente nos primeiros meses de vida. O diagnóstico correto evita tratamentos invasivos desnecessários e garante que casos graves sejam tratados na “janela de oportunidade” ideal.

O Dr. Rafael Moraes é Membro Titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia, possui Residência Médica pelo Hospital das Clínicas da UFMG e Título de especialista em Dermatologia pela SBD, além de mais de 15 anos de experiência e 60 mil pacientes atendidos. Possui larga experiência no manejo e tratamento de pacientes com hemangioma.

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