O Melasma é uma condição dermatológica comum, crônica e frustrante, caracterizada pelo surgimento de manchas escuras na pele, principalmente na face. Embora não represente um risco à saúde física, seu impacto na qualidade de vida e na autoestima é significativo. O manejo do Melasma Tratamentos e Cuidados é complexo e exige dedicação constante.

O Dr. Rafael Moraes é Membro Titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia, possui Residência Médica pelo Hospital das Clínicas da UFMG e Título de especialista em Dermatologia pela SBD, além de mais de 15 anos de experiência e 60 mil pacientes atendidos. Possui larga experiência no manejo clínico e tratamento de pacientes portadores de melasma.

O Que é o Melasma?

O Melasma se manifesta como hiperpigmentação adquirida, ou seja, manchas escuras de cor castanho-claro a castanho-escuro. É predominantemente observado em mulheres, especialmente durante a idade reprodutiva, mas também pode afetar homens.

É quadro causado por uma superprodução de melanina (o pigmento que dá cor à pele) pelos melanócitos (as células produtoras de pigmento), resultando no depósito excessivo desse pigmento na epiderme e/ou na derme. Essa produção exacerbada é desencadeada por múltiplos fatores, sendo o principal a radiação solar.

Localização Comum

As manchas do melasma tendem a ser simétricas e afetam áreas como:

O melasma manifesta-se predominantemente na face, concentrando-se em áreas como as maçãs do rosto, a testa e o lábio superior. Essas regiões, conhecidas como padrão centrofacial, são as mais afetadas devido à maior exposição solar e sensibilidade hormonal. Embora menos frequente, a condição também pode surgir em áreas extras-faciais, como o pescoço e os antebraços.
O melasma manifesta-se predominantemente na face, concentrando-se em áreas como as maçãs do rosto, a testa e o lábio superior. Essas regiões, conhecidas como padrão centrofacial, são as mais afetadas devido à maior exposição solar e sensibilidade hormonal. Embora menos frequente, a condição também pode surgir em áreas extras-faciais, como o pescoço e os antebraços.

Tipos Principais de Melasma:

A classificação é baseada na profundidade do pigmento na pele, o que influencia diretamente a resposta ao tratamento. Esta profundidade é tipicamente avaliada pelo dermatologista com o auxílio da Lâmpada de Wood.

1. Melasma Epidérmico

Características: O pigmento (melanina) está localizado na camada mais superficial da pele (epiderme).

Resposta ao Tratamento: Geralmente apresenta melhor resposta aos tratamentos tópicos e clareadores, pois o pigmento está mais acessível.

Aparência na Lâmpada de Wood: Torna-se mais evidente, com contraste aumentado.

2. Melasma Dérmico

Características: O pigmento está localizado nas camadas mais profundas (derme), muitas vezes englobado por células de defesa da pele (macrófagos).

Resposta ao Tratamento: É o tipo mais difícil de tratar, exigindo tratamentos mais invasivos e longos.

Aparência na Lâmpada de Wood: Praticamente não altera a visibilidade das manchas.

3. Melasma Misto

Características: Ocorre a combinação de pigmento tanto na epiderme quanto na derme. É o tipo mais frequente.

Melasma epidérmico, mais nítido, marrom, e com o aspecto típico em "mapa geográfico".
Melasma epidérmico, mais nítido, marrom, e com o aspecto típico em “mapa geográfico”.
O melasma facial impacta profundamente a autoestima e a identidade, pois as manchas são difíceis de camuflar e ficam em constante evidência social. Esse comprometimento estético pode gerar quadros de ansiedade, retraimento e insegurança, afetando as relações pessoais e profissionais do paciente. A busca incessante por tratamentos reflete o peso emocional de carregar marcas que alteram a percepção da própria face.
O melasma facial impacta profundamente a autoestima e a identidade, pois as manchas são difíceis de camuflar e ficam em constante evidência social. Esse comprometimento estético pode gerar quadros de ansiedade, retraimento e insegurança, afetando as relações pessoais e profissionais do paciente. A busca incessante por tratamentos reflete o peso emocional de carregar marcas que alteram a percepção da própria face.
O melasma é significativamente mais prevalente em pessoas com fototipos altos (III a V), como peles pardas e negras, devido à maior atividade dos melanócitos. Nessas peles, a produção de melanina é mais intensa e reativa, respondendo bruscamente não apenas ao sol, mas também ao calor e à luz visível. O desafio do tratamento nesses casos é maior, exigindo cautela extrema para evitar inflamações que possam gerar hiperpigmentação pós-inflamatória.
O melasma é significativamente mais prevalente em pessoas com fototipos altos (III a V), como peles pardas e negras, devido à maior atividade dos melanócitos. Nessas peles, a produção de melanina é mais intensa e reativa, respondendo bruscamente não apenas ao sol, mas também ao calor e à luz visível. O desafio do tratamento nesses casos é maior, exigindo cautela extrema para evitar inflamações que possam gerar hiperpigmentação pós-inflamatória.

Causas e Agravantes do Melasma

Suas causas são multifatoriais e complexas. Os melanócitos (células da epiderme responsáveis por produzir e distribuir a melanina, o pigmento que dá cor à pele, aos pelos e protege contra a radiação solar), são hiper-reativos a diversos estímulos.

A pesquisa do Dr. Hélio Miot, publicada nos Anais Brasileiros de Dermatologia, destacou o papel crucial dos fibroblastos (células do tecido conjuntivo responsáveis por fabricar o colágeno) na patogênese do melasma, indo além da simples hiperatividade dos melanócitos. Ele demonstrou que os fibroblastos nas áreas com melasma apresentam um estado de ativação crônica e senescência, promovendo um microambiente inflamatório. Tais fibroblastos senescentes liberam substâncias que estimulam de forma persistente os melanócitos a produzirem mais pigmento, agindo como “fábricas de melanina”. Essa descoberta redefiniu o melasma como uma foto-e/ou senescência dérmica e sugeriu que os tratamentos devem focar também na modulação do ambiente dérmico, e não apenas na célula pigmentar.

1. Radiação Solar e Luz Visível

Este é o fator mais importante e o principal gatilho para a recorrência das manchas

Radiação Ultravioleta (UV):

Causa o dano direto ao DNA e estimula a produção de melanina.

Luz Visível (LV):

A luz das telas e lâmpadas piora o melasma?

Luz visível é a luz que nos permite enxergar. A luz visível, especialmente proveniente do sol, pode agravar o melasma, mas a contribuição da luz de dispositivos eletrônicos e fontes artificiais é mínima nas condições habituais de exposição. A luz visível, em particular a luz azul de alta energia (HEVL), induz melanogênese e pode piorar a hiperpigmentação do melasma, sendo a exposição solar a principal fonte de radiação relevante. Fontes artificiais, como LEDs e telas de dispositivos eletrônicos, emitem doses significativamente menores de luz azul em comparação ao sol, mas podem contribuir de forma cumulativa em indivíduos suscetíveis.

Estudos clínicos e experimentais demonstram que a exposição à luz visível pode escurecer lesões de melasma, justificando o uso de fotoproteção ampla, especialmente filtros solares com cor ou contendo óxidos de ferro, que protegem contra HEVL e melhoram o controle da doença. No entanto, a literatura atual não identifica a luz azul emitida por dispositivos eletrônicos como fator relevante para agravamento do melasma em condições reais de uso, pois a dose emitida é muito inferior à da luz solar, e estudos epidemiológicos não encontraram associação entre tempo de tela e gravidade do melasma. Portanto, a recomendação de fotoproteção deve priorizar a exposição solar, sendo o risco relacionado a dispositivos eletrônicos considerado desprezível na prática clínica.

2. Fatores Hormonais

Gravidez: O melasma é frequentemente chamado de “máscara da gravidez” (cloasma).

Contraceptivos Orais: Podem desencadear ou agravar a condição devido à presença de estrogênio e progesterona.

Terapia de Reposição Hormonal (TRH): Também pode estar associada ao surgimento das manchas.

3. Genética

Pessoas com histórico familiar de melasma têm maior probabilidade de desenvolvê-lo.

4. Inflamação Crônica e Calor

O calor, atrito e o uso de produtos irritantes podem gerar inflamação que estimula a pigmentação e o surgimento ou piora do quadro.

O Dr. Rafael Moraes é Membro Titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia, possui Residência Médica pelo Hospital das Clínicas da UFMG e Título de especialista em Dermatologia pela SBD, além de mais de 15 anos de experiência e 60 mil pacientes atendidos. Possui larga experiência no manejo clínico e tratamento de pacientes portadores de melasma.

Melasma vs. Melanoses Solares: Como Diferenciar.

O melasma e as melanoses solares (ou lentigos solares) são ambas hiperpigmentações comuns, mas suas características e abordagens de tratamento são distintas, o que pode gerar confusão no diagnóstico.

O lentigo solar, popularmente conhecido como "mancha senil" ou "mancha de sol", é uma pequena lesão benigna da pele causada pelo dano acumulado da radiação ultravioleta (UVA e UVB) ao longo dos anos. Ele surge devido a uma hiperplasia (aumento do número) de melanócitos na camada basal da epiderme. Apresenta-se como pequenas manchas isoladas e de bordas bem definidas, enquanto o melasma manifesta-se em manchas maiores, irregulares e geralmente simétricas, influenciadas por fatores hormonais.
O lentigo solar, exemplificado acima, popularmente conhecido como “mancha senil” ou “mancha de sol”, é uma pequena lesão benigna da pele causada pelo dano acumulado da radiação ultravioleta (UVA e UVB) ao longo dos anos. Ele surge devido a uma hiperplasia (aumento do número) de melanócitos na camada basal da epiderme. Apresenta-se como pequenas manchas isoladas e de bordas bem definidas, enquanto o melasma manifesta-se em manchas maiores, irregulares e geralmente simétricas, influenciadas por fatores hormonais.

A Base do Tratamento: Prevenção e Proteção Solar

O Enfoque Especial no Uso de Filtros Solares

Para pacientes com melasma, a fotoproteção deve ir além dos filtros solares químicos tradicionais:

Neste artigo eu falo mais sobre o uso dos filtros solares e outras medidas de fotoproteção. Confira!

Por que o melasma piora na praia, mesmo usando protetor solar?

É muito comum o melasma escurecer após dias de praia, mesmo em quem “passou bastante filtro”. Isso acontece porque o problema não depende só do sol direto.

1️⃣ O protetor solar não bloqueia todos os tipos de radiação
A maioria dos filtros protege bem contra UVA e UVB, mas na praia a pele também recebe luz visível e infravermelha, que estimulam os melanócitos. Essas radiações atravessam nuvens, não causam queimadura e mesmo assim escurecem o melasma.

2️⃣ Quantidade insuficiente e reaplicação inadequada
Na rotina real, quase ninguém usa a quantidade correta de filtro no rosto. Além disso, água do mar, suor e toalha removem o produto, reduzindo rapidamente a proteção. Sem reaplicação frequente, a pele fica desprotegida por horas.

3️⃣ O calor piora o melasma, mesmo sem sol direto
O calor dilata vasos, aumenta a inflamação da pele e estimula a produção de pigmento, agravando o melasma. Por isso, mesmo na sombra ou em dias nublados, o rosto pode escurecer na praia.

4️⃣ Reflexão da luz pela areia e pela água
A areia clara e o mar funcionam como espelhos, refletindo radiação para o rosto. Isso aumenta muito a carga total de luz recebida pela pele, inclusive em áreas que a pessoa acha que estão protegidas.

No melasma, proteger-se do sol vai além do protetor: envolve fotoproteção completa e estratégias específicas.

Tratamentos Clareadores Tópicos Disponíveis

O pilar do tratamento do Melasma Tratamentos e Cuidados é a combinação de despigmentantes.

1. Hidroquinona (HQ)

Mecanismo de Ação: Inibe a tirosinase e reduz a produção de melanina.

Uso: Concentrações entre 2% e 5%.

Limitações: Uso deve ser restrito para evitar ocronose (uma condição rara de descoloração azul-escura ou marrom-acinzentada de tecidos como pele, cartilagens e olhos, causada pelo acúmulo de um pigmento escuro, chamado ácido homogentísico, devido, entre outras causas, pelo uso prolongado de certas substâncias como cremes clareadores à base de hidroquinona – ocronose exógena) e irritação.

2. A Fórmula de Kligman: o melhor tratamento conhecido para o Melasma.

Ela foi desenvolvida pelo dermatologista norte-americano Dr. Albert Kligman e utiliza um regime de terapia tripla que ataca a hiperpigmentação através de diferentes mecanismos. Apesar do seu uso exigir cuidados, é historicamente considerada o tratamento com maior eficácia, combinando três agentes:

Seu uso exige cautela. Os principais riscos são:

Fotossensibilidade Extrema: A pele fica mais sensível diante da radiação, transformando qualquer descuido com o sol em uma nova queimadura ou mancha.

Irritação e Sensibilidade: É comum causar vermelhidão, descamação e ardor, deixando a pele “viva” e muito reativa a qualquer produto.

Ocronose Exógena: O risco mais grave do uso prolongado de hidroquinona, resultando em manchas azuladas ou acinzentadas irreversíveis na pele.

Atrofia Cutânea e acne: O corticoide da fórmula pode afinar a pele, tornando-a frágil e propensa ao aparecimento de pequenos vasos (telangiectasias) e lesões semelhantes a acne. Outro risco é o surgimento de Dermatite Perioral desencadeada pelo uso do corticóide tópico.

Leia mais em: Dermatite Perioral: O Guia Completo sobre Causas, Sintomas e Tratamentos Baseado em Evidências

3. Outros Ativos Despigmentantes Essenciais

Aviso importante (Disclaimer)

De acordo com as políticas atuais do Google para conteúdos de saúde, não é mais permitido citar, recomendar ou detalhar o uso de medicamentos controlados em textos médicos de caráter educativo publicados na internet. Por esse motivo, os conteúdos apresentados utilizam linguagem informativa geral, sem menção a nomes comerciais ou princípios ativos de uso restrito.

As informações aqui descritas têm finalidade exclusivamente educativa e não substituem a consulta médica. Toda conduta, diagnóstico ou tratamento deve ser avaliado, indicado e acompanhado por um médico, considerando as características individuais de cada paciente.

Nenhuma decisão terapêutica deve ser tomada com base apenas neste conteúdo.

Últimas novidades científicas para o tratamento do melasma.

1. O Papel do Ácido Tranexâmico Oral

Estudos recentes mostram eficácia no melasma resistente, agindo na via inflamatória e vascular. O ácido tranexâmico oral emergiu como um tratamento adjuvante altamente eficaz para o melasma refratário, com eficácia comprovada na redução da pigmentação ao inibir a via da plasmina, que estimula os melanócitos e a vascularização.

Sua principal indicação é para o quadro moderado a grave que não responde bem a tratamentos tópicos. A contraindicação mais crítica é a presença de histórico de trombose, embolia, doenças tromboembólicas, ou uso de contraceptivos orais com alto risco de coágulos, devido ao potencial de aumentar o risco de trombose.

Geralmente, é bem tolerado em baixas doses; os efeitos colaterais mais comuns são leves distúrbios gastrointestinais. Seu uso, porém, deve ser sempre monitorado por um dermatologista.

2. Despigmentantes e Antioxidantes Orais

Polypodium Leucotomos tem ganhado destaque por oferecer fotoproteção sistêmica.

3. Foco na Barreira Cutânea

Produtos reparadores (ceramidas, ácido hialurônico) são essenciais para evitar efeito rebote.

Resumo e Perspectiva

O Melasma é uma condição crônica que requer gerenciamento contínuo. O sucesso envolve:

A chave é a paciência e o acompanhamento regular com um dermatologista.

O Dr. Rafael Moraes é Membro Titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia, possui Residência Médica pelo Hospital das Clínicas da UFMG e Título de especialista em Dermatologia pela SBD, além de mais de 15 anos de experiência e 60 mil pacientes atendidos. Possui larga experiência no manejo clínico e tratamento de pacientes portadores de melasma.

Respostas de 2

  1. Preciso de um tratamento para o melasma já fiz de tudo e não resolveu já fiz procedimento caros tratamento caros e nada resolveu

    1. Entendo que isso é desanimador, principalmente após investir tempo e dinheiro sem ver o resultado que você esperava.
      O melasma é uma condição crônica, então o foco não é “curar”, e sim controlar com estratégias certas e constância.
      Com ajuste fino de fotoproteção, clareadores adequados e, em alguns casos, medicação oral, geralmente conseguimos melhorar bastante.

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